Desde quinta-feira, Manuel Baltazar, 61 anos, ficou em prisão preventiva, por quatro crimes de homicídio - dois consumados, pela morte da ex-sogra e de uma ex-tia por afinidade, e dois tentados, pelo ferimento da filha e da ex-mulher - e já só receia os sentimentos da filha e a mão pesada da justiça.


Manuel Baltazar à saída do tribunal


Mas, após a sua detenção, ao final do dia de quarta-feira, Palito, como também é conhecido o homicida em Valongo dos Azeites, concelho de São João da Pesqueira, obrigou-se a falar das outras agruras por que passou. E surpreendeu quem o ouviu revelar que tinha andado com os sentidos alerta, pelas serranias de São João da Pesqueira, não só por causa da polícia, mas também por culpa de um ex-amigo e colega caçador.
"Teve com ele umas desavenças e andava com medo que ele se aproveitasse da situação para o matar", contou uma fonte do JN, acrescentando, apenas, que o homem que Palito temia era um caçador. Convencido de que muita gente o queria ver morto, receava que aquele encarasse o momento como a oportunidade de se vingar e passar despercebido.
Mas, na quarta-feira, Manual Baltazar resolveu-se a acabar com uma fuga que, segundo o próprio, nunca o afastou muito de Valongo dos Azeites. Apesar das suspeitas de que recebeu ajuda de amigos, encontrava-se fisicamente muito debilitado, pela parca alimentação e pelo frio e humidade das noites do Alto Douro, que terão sido a causa de ter ficado sem unhas nos dedos dos pés.
A ideia de "Palito" seria ir a casa, tomar banho e entregar-se. Mas as câmaras ali instaladas pela PJ denunciaram a sua presença e, um quarto de hora depois, apareceram inspetores que o dominaram, apesar de ainda conservar a caçadeira com que terá cometido os crimes.
Após a noite passada na cadeia de Vila Real, onde lamentou insistentemente o sucedido à filha, Palito foi levado, pelas 15 horas de ontem, para o Tribunal de São João da Pesqueira, onde entrou com um casaco sobre a cabeça. Uns populares receberam-no com apupos, outros com aplausos, criticados por Natália Mata. "Ele tem de pagar pelo que fez!", atirou.



jn