O processo de paz do Governo colombiano com a guerrilha das FARC dominou a campanha para as eleições presidenciais de domingo, num país dividido entre apoiantes e opositores do diálogo que tenta terminar com meio século de conflito armado.



O Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que aposta na reeleição, centrou a sua campanha na expetativa de um "futuro brilhante" caso seja concluído um acordo de paz, definido como "objetivo nacional" que permitirá à Colômbia, "a economia mais sólida da América Latina", crescer acima das previsões de 4,5% para 2013, apesar das reservas de muitos analistas sobre estas projeções.




A condução do processo negocial, a confirmação de um acordo, o predomínio da verdade, de compensações às vítimas, da justiça, foram temas recorrentes nas cinco candidaturas, face a um conflito que domina a vida dos colombianos há 50 anos e que segundo o relatório "Basta Ya" de 2013, divulgado pelo Centro de Memória Histórica, regista 220.000 assassinatos.
As negociações de paz iniciaram-se em Havana, capital de Cuba, em novembro de 2012 e desde então o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) já chegaram a acordo em três temas da agenda: terras e desenvolvimento rural, participação política dos guerrilheiros desmobilizados e drogas ilícitas/narcotráfico. Permanecem em discussão os relativos às vítimas e o fim do conflito, que inclui desmobilização e entrega das armas, antes da legitimação e aplicação do acordo final através de um referendo.
Estes avanços no processo incluem-se entre os principais trunfos de Santos, eleito em 2010 e considerado um delfim do ex-presidente direitista Álvaro Uribe, de quem se foi demarcando.
Ao contrário do seu antecessor, Santos iniciou um processo de aproximação com os seus vizinhos "rebeldes", o Equador de Rafael Correa e a Venezuela de Hugo Chávez, e a nível interno formou o designado "governo de unidade nacional" com o apoio do seu 'Partido de la U', o Partido Liberal, o Partido Conservador, a Mudança Radical e o Partido Verde.



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