Austrália-Espanha, 0-3

Uma última arte de Villa. O calcanhar do melhor marcador de sempre da seleção espanhola deu um toque de classe à despedida de uma geração gloriosa da Roja, que bateu a Austrália por 3-0 no último encontro do Grupo B do Mundial 2014. O Guaje merecia um adeus assim.
Torres marcou o segundo frente a uns socceroos aplicados, mas que foram de mais a menos e ainda permitiram o terceiro aos espanhóis, apontado por Juan Mata.
Numa partida entre duas equipas que já só aspiravam à melhor saída possível do torneio, a Espanha lutava contra a história. Nunca uma seleção campeã do mundo tinha deixado o Mundial sem pontuar. Ou seja, a Roja corria o risco de ter novo registo negativo, depois de se ter tornado na primeira equipa que perdeu o título de campeão ao fim de dois jogos.
Do outro lado, a Austrália também pontuara sempre em Campeonatos do Mundo, mas este foi, dos três jogos que fez, aquele em que esteve mais longe de somar. Os socceroos começaram bem, aplicados e organizados. Não passaram por problemas nos primeiros vinte minutos. Nem os causaram, é um facto.
Aos 21, uma primeira aparição de Villa. Um remate de primeira, de pé esquerdo, muito ao lado. Aos 23, Alba teve a primeira grande oportunidade, mas na área rematou para a figura de Ryan. Ainda assim, percebia-se que era a Espanha a formação mais perigosa em campo. Estranho seria se fosse ao contrário, apesar do esforço australiano.
David Villa surgiu de novo em dois momentos: no primeiro destes, trabalhou para ninguém. O cruzamento passou toda a pequena área sem que surgisse um desvio. No segundo, marcou um golaço.
É inegável o que Villa deu a esta seleção espanhola. Por exemplo, Portugal tem má memória dele, de 2010. Por isso, quando Juanfran ganhou a linha de fundo, o futebol até agradeceu que o cruzamento do lateral tenha saído demasiado para trás. Porque isso permitiu a Villa recorrer a um «taconazo» e terminar de maneira bonita a história com a seleção. No segundo tempo, o Guaje iria ser substituído. Beijou o símbolo e foi para o banco chorar. Ninguém o esquecerá entre espanhóis.
Xavi, por exemplo, não teve a mesma sorte. Um dos ícones do tiki taka, o médio não meteu pés em campo. Saiu sem ter bola, uma contradição futebolística, obviamente.
A Austrália ainda ameaçou no segundo tempo, mas Iniesta estava em campo. E perante uma defesa menos pressionante que a de Chile e Holanda, o médio esteve demasiado à vontade aos 69 minutos. Os olhos viram Torres e os pés deram a bola a El Niño. Ryan era batido pela segunda vez, numa partida sem pressão e que terminou num 3-0. Fàbregas e Mata construíram o último golo e sublinharam que, apesar da eliminação, há uma grande diferença entre uma Espanha que terminou ciclo e esta Austrália.

Fonte: Mais Futebol