Camarões-Brasil, 1-4

Com Neymar fica mais fácil. O Brasil despachou os Camarões por 3-1, em mais um jogo em que brilhou intensamente a sua estrela maior. O triunfo vale o primeiro lugar no Grupo A e um encontro com o Chile, que promete ser bem complicado, nos oitavos-de-final do Mundial 2014.

Mas antes de se projetar o que quer que seja, conte-se o que foi este Brasil-Camarões, onde a lógica do futebol, que nem sempre tem estado de mãos dadas com este Mundial, imperou quase de início ao fim.

É verdade que, pelo meio, os Camarões chegaram a ter o jogo empatado, mas, mesmo com o Brasil irregular a defender, percebia-se que o ataque chegava e sobrava para, mais tarde ou mais cedo, voltar a colocar o jogo nas mãos da equipa de Scolari. Não foi preciso esperar muito.

Em Brasília, como em todos os estádios em que tem jogado neste Mundial, o Brasil voltou a usar um dos seus superpoderes mais facilmente identificáveis: o ataque «chinfrineira». Cada vez que o Brasil avança uns metros da linha do seu meio-campo, as bancadas entram num histerismo tal que desconcentra qualquer equipa. A frágil defesa dos Camarões foi apenas mais uma.

Assim, com um autêntico 12º jogador nas bancadas, o Brasil adiantou-se cedo. Marcou Neymar. O golo 100 de um Mundial histórico. Como? Tão fácil como dizer golo. Luiz Gustava arranjou espaço na esquerda, centrou rasteiro e o avançado do Barcelona só teve de perguntar a Itandje para que lado queria.

Estávamos no minuto 17 e era altura de começar a aposta lógica: Brasil ganha por quantos?

Mas os Camarões quiseram fazer uma gracinha e, perante o mais improvável dos adversários do grupo, marcaram o primeiro golo no Mundial. Matip, que um minuto antes tinha cabeceado à trave, fez um golo à Neymar, com uma diferença: foi ainda mais fácil. O centro de Bedimo passou os centrais e o guarda-redes brasileiro. Matip empurrou para a baliza deserta.

Neymar abre a porta, Fred escancara-a

Para que não houvesse possibilidade de as mais de 70 mil pessoas nas bancadas do Mané Garrincha temerem uma espécie de segundo Maracanazzo, Neymar voltou a aparecer.

Marcelo, com um toque simples, abriu uma frente de incêndio na defesa africana que ninguém conseguiu apagar. Neymar procurou o espaço, encontrou-o e atirou para o segundo.

A segunda parte começou com Hulk a desperdiçar um lance isolado, numa prova mais de que o nervosismo continua a acompanhá-lo quando veste a canarinha. Mas Fred tornou essa questão num pormenor ao desviar para o terceiro um centro de David Luiz. Nota importante: parece em fora-de-jogo.

Tinha chegado a hora de esmagar, mas este Brasil ainda não tem pernas para isso. Talvez cresça na fase a eliminar, uma das especialidades de Scolari. Terá, forçosamente, de o fazer, aliás, para sonhar com o título, porque o apoio das bancadas pode não chegar contra seleções bem mais complicadas do que os Camarões.

Ainda chegou ao quarto golo, por Fernandinho, após disparate da seleção camaronesa, o que serviu, também, para garantir de vez a liderança do grupo A.É que, no outro jogo, o México vencia a Croácia por 3-0 naquela altura e estava a um golo de evitar a Holanda nos «oitavos».

De Brasília fica, assim, o registo de uma vitória simples, tranquila e lógica do Brasil. Tão natural como a sede de um povo pelo hexa.

Fonte: Mais Futebol