Brasil-Chile, 1-1 a.p., 3-2, g.p.

Tanto, tanto, num jogo de futebol épico, eterno, imortal. Medo, tensão, paixão, devoção, tudo para se decidir no malogrado remate de Gonzalo Jara e no poste esquerdo de Júlio César. Cai o Chile nas grandes penalidades, sobrevive o Brasil, rumo ao desconhecido.
Futebol moderno é isto. Complexo, intrincado, pleno de variáveis. Quem se atreveria a afrontar o favoritismo do Brasil depois daquele autogolo do mesmo Jara, logo aos 18 minutos?
O Chile atreveu-se, teve coragem, empatou após um erro de Hulk – por Alexis Sanchez - e levou o jogo até ao limite do suportável: física e emocionalmente.
Esse golo de Alexis deixou o Brasil cheio de dúvidas. O arrojo e a intensidade iniciais diluíram-se com o avançar dos minutos, o tic-tac do relógio tornou-se um barulho ensurdecedor e o Mundial conheceu momentos verdadeiramente demolidores.
Muito do mérito do Chile residiu na perspicácia do treinador Jorge Sampaoli. Neymar, imparável até ao intervalo, desapareceu depois do descanso. Sampaoli alterou o 3x5x2 para 5x3x2, baixando os laterais e introduzindo o clarividente Felipe Gutiérrez no meio-campo. Saiu o desgastado Vidal.
Essa alteração, simples nos princípios, desorientou por completo o Brasil. As linhas laterais deixaram de existir, o centro do relvado tornou-se congestionado e o resto foi ditado pelos deuses do futebol. Sim, eles existem, só não sabemos quem são.
Se calhar foram Bravo, numa mão cheia de grandes intervenções, mas também podem ter sido Mauricio Pinilla [lembram-se dele em Alvalade?] com uma bomba à trave de Júlio César (aos 120 minutos!) ou até o árbitro Howard Webb, no momento em que anulou um golo a Hulk.
Vale a pena ler com redobrada atenção tudo o que temos no AO MINUTO do jogo, pois os eventos sucederam-se a uma velocidade incontrolável e estas linhas são insuficientes para narrar tamanha torrente.
A decisão encaminhou-se com uma naturalidade aterradora [do ponto de vista brasileiro] para as grandes penalidades. Percebeu-se, pelo caminho, que Fred (e Jô) são de menos e que o romantismo ficou mesmo nas botas de Pelé, Tostão, Mané Garrincha e Jairzinho.
No Chile, uma palavra muito, muito forte para Claudio Bravo, Gary Medel (monstruoso, do alto do seu 1,72 metros) e Alexis Sanchez. Todos mereciam mais.
No Brasil contemporâneo há velocidade furiosa [veja-se Hulk] mas, tal como nos filmes com o mesmo nome, é evidente a escassez do conteúdo de riqueza arrebatadora. Ainda assim, aplausos para Júlio César e Thiago Silva, muito acertados, e para Hulk, o único capaz de desequilibrar a partir de dada altura.
Por agora, os santinhos de Scolari - agora e sempre um especialista nos milagres das grandes penalidades, Portugal que o diga – e a capacidade óbvia de alguns jogadores vão servindo para alimentar o sonho.
Será isso suficiente para matar de vez o Maracanazzo? Depois de tudo o que vimos hoje, responder afirmativamente é obviamente arriscado. O vilão foi Jara, mas o fantasma de Barbosa andou por lá.

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Fonte: Mais Futebol