1. #1
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    Padrão Mundial-2014: França-Alemanha, 0-1



    França-Alemanha, 0-1

    Mesmo o Mundial das emoções fortes e das reviravoltas pode ter jogos assim: previsíveis, com guião pré-definido, e desfechos esboçados bem cedo. Não, desta vez não foi um caso de «... e no fim ganham os alemães»: a seleção de Joachim Löw, primeira semifinalista deste Mundial, disse bem cedo ao que vinha, conseguiu-o ainda antes dos primeiros 15 minutos, e passou o resto do tempo a gerir os desafios, limitados, criados por uma França que demorou demasiado tempo a mudar o chip para o plano B. Kroos, e principalmente Neuer, novamente imperial, estão entre as grandes figuras do Mundial – mas a Alemanha continua a dever a si própria uma exibição que rime com algo mais do que eficácia.
    A «mannschaft» chega às meias-finais de um Campeonato do Mundo pela quarta vez consecutiva. Mas, apesar de individualidades de topo, fá-lo, desta vez, numa versão bem menos interessante dos que as suas antecessoras de 2006 e 2010. A impressão foi acentuada por uma vitória em velocidade de cruzeiro, a prolongar o regime dos serviços mínimos estreado depois da goleada a Portugal.
    Com Lahm de volta à lateral e Schweinsteiger numa versão mais musculada de pivot a meio-campo, foi a presença de Khedira, em funções mais avançadas, ao lado de Kroos, que começou a retirar consistência ao meio-campo francês. A equipa de Deschamps, que ainda não tinha enfrentado um teste com esta dimensão, sacrificou Giroud por Griezmann, fazendo com que Benzema voltasse ao eixo do ataque: na prática, era a renúncia aos duelos físicos, na área, com Hummels e Boateng, e a aposta na rapidez e técnica dos alas, para aproveitar as avenidas parecidas com as que a Alemanha ofereceu à Argélia.
    Com os alemães em maioria no estádio, e os brasileiros inclinados a torcer pelos franceses, o jogo teve o seu momento chave logo aos 13 minutos, quando Hummels fez valer o físico e a experiência para ganhar o corpo a corpo com Varane e cabecear o livre cobrado por Kroos. Ora para um plano de jogo como o da França, sofrer um golo cedo era o pior que podia acontecer: a Alemanha podia recuar, como recuou, e encurtar os tais espaços que Valbuena e Griezmann pretendiam aproveitar.
    Nunca tendo estado em desvantagem, neste Mundial, a França viu-se obrigada a partir ao assalto de uma muralha, que não hesitou em deixar Klose (aposta surpreendente de Löw) entregue à sua sorte. O ponta de lança, que poderia ter batido o recorde de golos de Ronaldo em pleno Maracanã (desculpem, mas não há outra palavra: sacrilégio!), acabou por passar ao lado do jogo, com exceção de um lance em que, puxado pela camisola por Debuchy, exagerou na queda, levando o argentino Pitana a mandar seguir.
    Só nos últimos dez minutos da primeira parte a França esteve perto de conseguir algo, primeiro num remate de Valbuena que permitiu a Neuer brilhar, depois em duas tentativas de Benzema cortadas pelo corpo de Hummels. Com o sol e a relva seca a acentuarem as dificuldades a quem andava lá em baixo, a segunda parte trouxe de volta a sensação de que a França não teria muitas oportunidades para driblar a eliminação, a menos que introduzisse um fator de rotura no jogo.
    A imagem de Valbuena, positivamente atropelado por Schweinsteiger numa bola dividida, ilustrava a sensação de impotência dos «bleus», mas só a partir dos 70 minutos Deschamps aceitou mexer no figurino, com as trocas de Cabaye por Rémy e, ainda mais tarde, de Valbuena por Giruoud. Tarde de mais, até porque a Alemanha, com Schürrle na vaga de Klose, tinha adaptado o design a um jogo de contra-ataque, que em duas ou três ocasiões lhe teria permitido o KO definitivo – Lloris e a falta de pontaria negaram três dessas situações a Schürrle e Müller nos minutos finais. Foi essa a única falha numa tarde de eficácia máxima para os homens de Löw – sim, porque quando a organização defensiva falhou, Neuer apareceu para resolver, como o fez na insolente defesa com a mão direita a remate de Benzema, no último lance da partida.
    Pela terceira vez, depois das meias-finais de 1982 e 1986, a França volta a cair perante alemães realistas – mas desta vez só pode queixar-se de si própria. Disso, e de Neuer, claro.

    Confira a FICHA DO JOGO

    Fonte:
    Mais Futebol


  2. #2
    Avatar de kokas
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    Padrão Alemanha de serviços mínimos garante quarta meia-final consecutiva num Mundial

    Uma Alemanha de serviços mínimos foi suficiente para garantir a quarta presença consecutiva nas meias-finais de um Mundial e a sexta em grandes torneios, se somarmos os dois últimos europeus. O único golo da partida surgiu logo aos 13’ e foi fatídico para as ambições da França. Seria o momento de maior exaltação no Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, preenchido maioritariamente por adeptos brasileiros, mas também com muitos colombianos nas bancadas, todos em estágio para a outra partida do dia, em Fortaleza. Os germânicos souberam depois gerir a curta vantagem, com raros sobressaltos defensivos e até alguma displicência atacante.

    O seleccionador Joachim Low admitira na véspera que a Alemanha ainda não tinha mostrado a sua melhor versão no Brasil e também não foi esta sexta-feira que o fez. Não é que o triunfo não tenha sido justo, premiando a equipa que mais trabalhou e melhor talento apresentou em campo para o alcançar. Mas a exibição ficou aquém daquilo que as individualidades germânicas prometem. Os franceses, diga-se, também não puxaram muito pelo adversário, nomeadamente em termos ofensivos. Quando o técnico Didier Deschamps quis mudar, já era tarde de mais. Mesmo assim, Benzema ainda testou os reflexos do guarda-redes Manuel Neuer ao cair do pano.
    Positivo/Negativo

    Toni Kroos

    Numa altura em que estará praticamente acertada a sua contratação pelo Real Madrid, por uma verba a rondar os 25 milhões de euros, o médio de 24 anos, tem sido uma das maiores estrelas da selecção alemã. É o recordista de passes neste Mundial e foi crucial a sua assistência para o golo que colocou a equipa nas meias-finais. Limitou ainda a acção de Pogba e simultaneamente do meio-campo francês.
    Hummels

    Um golo que valeu a eliminatória e uma acção defensiva recheada de intervenções providenciais.

    França

    Uma fraca exibição, com a equipa a acusar muito a desvantagem madrugadora. Mas, face ao passado recente, a campanha no Brasil foi meritória.
    Özil

    Tarda em aparecer no Brasil, pelo menos ao nível que se lhe reconhece.




    Foi de bola parada que o golo solitário surgiu no início de uma tarde quente no Maracanã, mas só ao nível da temperatura atmosférica. Toni Kroos cobrou exemplarmente um livre, descaído na esquerda, com Hummels a subir mais alto do que o Varane e a bater Hugo Lloris. A bola ainda tocou na trave antes de entrar. Foi o segundo golo do defesa central neste Mundial, depois de ter também marcado na partida frente a Portugal (4-0). E o jogador esteve muito perto de voltar a fazer abanar as redes na recta final da partida (81’), mas desta vez na baliza errada.
    Em desvantagem no marcador, pela primeira vez no torneio brasileiro, o conjunto francês não soube reagir. Face ao bloqueio germânico no meio-campo, procurou surpreender com um futebol mais directo, lançando a bola para as costas da defesa adversária. Valbuena esteve perto do êxito, aos 34’, mas a mão esquerda de Neuer manteve a sua baliza inviolada, tal como o faria, com a mão contrária, no tal lance de Benzema já no último suspiro dos descontos. A experiência como antigo guarda-redes de andebol continua a representar uma vantagem acrescida para o dono das redes alemãs.
    Mas antes desta insípida reacção francesa, terá ficado por marcar uma grande penalidade a favorecer os germânicos, quando o lateral direito Debuchy puxou pela camisola de Miroslav Klose na área. A queda desproporcionada do avançado terá convencido o árbitro que se tratava de uma simulação.
    A partida prosseguia sem grandes atractivos e, nas bancadas, para estimular um pouco o ambiente, iniciou-se um confronto de cânticos entre brasileiros e colombianos, com estes últimos a manifestarem-se corajosamente e sem cerimónias no mítico estádio carioca. No relvado, a primeira parte terminava com mais um lançamento longo, agora de Pogba (sempre muito vigiado por Kroos), que encontrou Benzema, mas o francês permitiu uma defesa fácil a Neuer.
    Com obrigação de assumir o encontro, a França regressou para a segunda metade mais pressionante. Subiu as suas linhas, procurando criar alguma superioridade no meio-campo e libertar-se do bloqueio alemão, mas encontrava um muro defensivo quase sempre intransponível pela frente. A progressão parava nos derradeiros 30 metros. O conjunto de Deschamps abria, por outro lado, espaços na sua retaguarda e esteve sempre mais perto de sofrer o golpe de misericórdia do que de equilibrar o marcador.
    Alguma descontracção excessiva dos germânicos no último remate acabou por manter o resultado como estava. Muller falhou ligeiramente o alvo, aos 69’, e ainda iria partilhar com o recém-entrado Andre Schuerrle (que rendeu Klose, aos 68’) a perdida mais escandalosa da tarde, aos 83’. A um cruzamento da esquerda de Ozil, Muller não acertou na bola, sobrando esta para o seu companheiro que, completamente isolado, atirou displicentemente possibilitando a defesa de Lloris com as pernas.
    Com naturalidade e sem o sofrimento da partida com a Argélia, nos oitavos-de-final, a Alemanha volta a garantir presença numa meia-final.




    P

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