Seja pela falta de recursos financeiros ou por não acreditarem que os cursos superiores sejam vantajosos para a entrada no mercado de trabalho, as famílias já começaram a aceitar que os seus filhos não se vão inscrever nas universidades ou politécnicos. Ou seja, terminam o secundário e começam a trabalhar, avança o Público.

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A falta de recursos financeiros e a descrença na mais-valia de um curso superior no mercado de trabalho, leva a que os pais aceitem que os seus filhos não se inscrevam nas universidades sendo que, terminam o secundário e iniciam o seu percurso a trabalhar.
“Julgo que os meus filhos foram para o ensino profissional uma vez que têm noção que não lhes posso financiar um curso superior”, disse uma mãe que prefere não ser identificada ao Público.

A esta mãe o filho já chegou a dizer: “Se eu não entrar na faculdade, ou se não puder ir, ao menos posso trabalhar numa área que está a ser muito recrutada”.

“O meu filho acabou o secundário mas não vai para a universidade. Porquê? Porque precisamos de sobreviver”, revela a fonte.

Muitos jovens que sabem que não poderão percorrer ingressar numa universidade, entram para o ensino profissional, para entrarem antecipadamente no mercado de trabalho e para muitos isto não é uma fatalidade.

“As universidades são muitas das vezes apenas ferramentas sociais. O conhecimento pode adquirir-se mesmo não estando numa universidade”, disse outra mãe.

Contudo, a falta de recursos financeiros não é o único motivo para a não candidatura de acesso ao ensino superior. Muitos acreditam que as licenciaturas não garantem um emprego.

Para a socióloga da Educação da Universidade do Minho, Fátima Antunes, “vivemos numa situação absolutamente nova que é a de termos uma grande franja da classe média numa situação de grande incerteza”.

Apesar da inversão de tendência no concurso nacional de acesso ao ensino superior de 2014, muitos alunos revelaram que só queriam candidatar-se no ano seguinte.

“A disponibilidade dos jovens que terminam o ensino secundário (mas também das respetivas famílias) para se candidatarem ao ensino superior é fortemente condicionada pelo ambiente geral criado em torno da valia futura que a formação superior pode proporcionar”, garante o presidente Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), João Guerreiro.




N.M