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Pela primeira vez na história, há um homem que correu a maratona abaixo das duas horas e três minutos. Aconteceu neste domingo, em Berlim. Dennis Kimetto correu os cerca de 42 quilómetros em 2:02.57 horas batendo o anterior recorde do mundo em 26 segundos.

Um tempo-canhão. Um portento do atletismo. Mas estas são apenas duas classificações que assentam que nem uma luva ao queniano. Outra das designações para o que ele consegue, além de vencedor, será sem dúvida a de sobrevivente.

Kimetto ultrapassou a pobreza; sobreviveu à doença. Há apenas cinco anos trabalhava a terra para subsistir. Agora, aos 30 anos, não faz mais do que dar seguimento ao que foi prometendo quando abraçou a tradição queniana de correr as grandes distâncias. O seu feito deste domingo é assinalável.




É assinalável, mas, por outro lado, já algoesperado. Em vários aspetos. Primeiro, porque os resultados que foi apresentando isto indicavam. Dennis Kimetto só começou a correr fora do Quénia em 2012, há pouco mais de dois anos. Mas, logo então, também em Berlim, estabeleceu o máximo mundial para a distância de 25 quilómetros: 71.18 minutos (menos 32 segundos que o anterior melhor tempo).

Em setembro também desse ano estreou-se nas maratonas; mais uma vez, também na capital alemã. Ficou em segundo. Mas os relatos apontam que desacelerou para deixar o seu compatriota e mentor, Geoffrey Mutai, ganhar para obter o título das maratonas major e receber 500 mil dólares (cerca de 394 mil euros). Mesmo assim, os 2:04.16 horas de Kimetto em Berlim ficaram como o melhor tempo de sempre de um estreante.

Em 2013, o queniano venceu a Maratona de Tóquio com mais um recorde na prova japonesa (2:06:50 horas). No final desse mesmo ano, em outubro, Kimetto ganhou a Maratona de Chicago também com o recorde do percurso (2:03:45). E isto apenas seis semanas depois de sobreviver a um surto de malária.

Sendo o percurso de Berlim propício à obtenção de grandes marcas, vem a segunda explicação para que o novo recorde não espante – esta foi a sexta vez consecutiva que a melhor marca mundial é estabelecida na capital alemã. A última vez tinha sido na prova do ano passado. Para este ano, Kimetto já dizia que «se as condições forem boas, o recorde do mundo é possível». Neste domingo bateu-o: «Ao longo da corrida vi que podia fazê-lo.»

E fê-lo correndo a segunda parte da corrida cerca de 30 segunda mais rápida do que a primeira. Um feito que mereceu o reconhecimento do seu compatriota Wilson Kipsang, o anterior recordista mundial.




mf