À 42ª volta do GP do Japão, a morte voltou a pairar sobre a Fórmula 1. Jules Bianchi, prometedor piloto da Marussia, saiu em frente numa curva e chocou com uma grua que retirava o bólide de Adrian Sutil do mesmo local. Impressionante!

Bianchi foi imediatamente assistido no local do embate, removido para o Centro Médico do circuito de Suzuka e posteriormente para o Hospital Universitário de Mie, onde chegou em «estado muito crítico».

Felipe Bianchi, pai de Jules, foi dos primeiros a reagir publicamente ao acidente. «É grave. O meu filho está a ser operado nesta altura. Vamos todos rezar», afirmou à France 3.

Entretanto, no paddock, as reações oscilavam entre a preocupação e a incredulidade. Adrian Sutil estava chocado com o que acabara de ver demasiado de perto.

«O que eu vi, nunca mais vou esquecer na minha vida...»

Sutil referia-se à violenta colisão entre Bianchi [o primeiro homem a pontuar com um carro da Marussia] e a grua. O piso estava molhado, o jovem francês de 25 anos não conseguiu reduzir a velocidade num ponto sensível da pista, a tragédia esteve iminente.

A FIA fala numa «lesão séria na cabeça» e na necessidade de avançar para uma «cirurgia de emergência».


As imagens de tudo o que aconteceu foram censuradas pelo empresa responsável pela transmissão televisiva. Alguns vídeos amadores captaram os instantes imediatos ao terrível evento.

O carro de Adrian Sutil ainda se encontrava no mesmo local e logo ao lado podia ver-se o trator-grua.



Jenson Button, quinto classificado numa corrida ganha por Lewis Hamilton, desvalorizou tudo o que não dissesse respeito ao estado de saúde de Jules Bianchi. «É um acidente que nunca imaginaria ver na Fórmula 1».




As boas notícias, se é possível utilizar tal expressão num cenário tão dramático, chegaram com o final da intervenção cirúrgica à cabeça de Jules Bianchi: o piloto já é capaz de respirar sem assistência.

Uma pequena gota de esperança, após horas de insuportável angústia. Jules Bianchi está nesta altura nos cuidados intensivos e a família já sabe que as próximas horas serão fundamentais.

Bianchi ainda corre perigo de vida. O domingo foi negro para a Fórmula 1 e voltou a lembrar o risco que envolve tudo o que diz respeito ao Grande Circo.

Bianchi: primeiro milagre aconteceu no Mónaco

Jules Bianchi nasceu em Nice, tem 25 anos e é um dos jovens que faz parte do programa de jovens pilotos da Ferrari. Chegou à Fórmula 1 em 2013 e pegou no volante de uma das duas equipas mais débeis da modalidade.

Por isso mesmo, os dois pontos que conquistou no GP do Mónaco podem ser considerados um verdadeiro milagre. E é também um milagre o que se pede nestas horas de dolorosa espera.

Jules soma 34 corridas na principal categoria do desporto automóvel, mas no currículo conta com outras conquistas importantes: campeão da Fórmula Renault em 2007, vencedor do Masters da Fórmula 3 em 2008, campeão da Fórmula 3 Europeia em 2009, vice-campeão da GP2 Asiática (2011) e da Fórmula Renault 3.5 (2012).

Será possível voltar a escutar Jules Bianchi a celebrar, como fez no Mónaco já este ano?



De Williamson a Senna: 40 nomes no obituário da F1

A lista de pilotos mortos em pista na Fórmula 1 acaba em 1994. O último dos 38 nomes deste obituário é também o mais mediático. Ayrton Senna partiu em 1994, no fim-de-semana de todos os horrores em Monza. Na véspera, Roland Ratzenberger não resistira aos graves ferimentos que a carcaça do seu Simtek foi incapaz de conter.

Nas décadas anteriores, porém, tudo era mais perigoso. Os automóveis eram mais frágeis, as regras desadequadas e a velocidade ainda e sempre kamikaze.

Em 1973, por exemplo, Roger Williamson morreu intoxicado dentro do cockpit, após o carro arder. David Purley, outro piloto em pista, foi o único a tentar resgatá-lo. Sem sucesso. A impotência dos restantes é impressionante, tal como o vídeo seguinte atesta.



Há, infelizmente, muitos outros neste grupo de heróis caídos no asfalto: Ronnie Peterson, Gilles Villeneuve, Elio De Angelis,

Uma das histórias mais impressionantes envolveu outro piloto. Tom Pryce, um galês famoso na década de 70, faleceu após ser atingido por um extintor na cabeça. Pryce atropelou um comissário de pista, também morto, e quase foi decapitado.

As imagens são impublicáveis, tal a violência explícita que lhes está associada.

Nos últimos 20 anos, não há mortes a lamentar. Só sustos e o caso especial de Maria de Villotta.

Felipe Massa foi atingido na cabeça por uma peça solta, em 2009, e esteve vários meses afastado.

Três anos depois, a espanhola Maria de Villotta sofreu um acidente horrível num teste privado em Inglaterra e perdeu o olho direito. Ao volante de um Marussia, como Jules Bianchi.

Pouco mais de um ano depois, Maria foi encontrada morta num hotel em Sevilha. A autópsia revelou que uma paragem cardíaca foi a causa do óbito. Todas as notícias apontam para que o problema fosse ainda um resquício do acidente ocorrido no Aeródromo de Auxford.

Jules Bianchi luta pela vida. Por ora, é seguro dizer que protagonizou o acidente mais grave numa corrida de Fórmula 1 das duas últimas décadas. Não o queremos ver na lista seguinte.

Lista de pilotos mortos em eventos da F1:

1952, Luigi Fagioli e Cameron Earl
1953, Chett Miller e Charles de Tornaco
1954, Onofre Marimón
1955, Manny Ayulo e Peter Vukovich
1957, Eugenio Castellotti e Keith Andrews
1958, Pat O'Connor, Luigi Musso, Peter Collins e Stewart Lewis-Evans
1959, Jerry Unser Jr. e Bob Cortner
1960, Chris Bristow e Alan Stacey
1961, Giulio Cabianca e Wolfgang von Trips
1964, Carel de Beaufort
1966, John Taylor
1967, Lorenzo Bandini e Bob Anderson
1968, Jo Schlesser
1969, Gerhard Mitter
1970, Piers Courage e Jochen Rindt
1973, Roger Williamson e François Cevert
1974, Peter Revson e Helmutt Koinigg
1975. Mark Donahue
1977, Tom Pryce
1978, Ronnie Peterson
1980, Patrick Depailler
1982, Gilles Villeneuve e Riccardo Paletti
1986, Elio De Angelis
1994, Roland Ratzenberger e Ayrton Senna




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