O capitão do "ferry" sul-coreano cujo naufrágio, em abril, causou 300 mortos, disse "merecer a pena de morte", mas negou ter sacrificado os passageiros para salvar a sua vida.

"Peço sinceramente perdão às vítimas e seus familiares e rezarei por eles até ao fim dos meus dias", declarou Lee Joon-Seok, de 69 anos, no tribunal de Gwangju (sul), citado pela agência Yonhap.
"Penso merecer a pena de morte (...) Mas nunca tive a intenção de sacrificar os passageiros" para ter a certeza de ser resgatado, adiantou.
O julgamento da tripulação do "ferry" iniciou-se a 10 de junho em Gwangju, a 265 quilómetros a sul de Seul, e o capitão do Sewol falou, esta quarta-feira, pela primeira vez.
O naufrágio do Sewol, a 16 de abril, ao largo da ponta sul da península coreana causou 300 mortos, na sua maioria estudantes. Segundo um relatório divulgado na segunda-feira pela procuradoria, a sobrecarga, a incompetência da tripulação e obras de redimensionamento ilegais levaram ao desastre do 'ferry'.
Além de ter abandonado o 'ferry' com centenas de pessoas a bordo, a tripulação é acusada de ter ordenado aos passageiros que não saíssem dos seus lugares, mesmo quando o navio já se estava a afundar.
Lee Joon-Seok alegou ter ordenado a um membro da tripulação para fazer um anúncio aos passageiros, pedindo-lhes que colocassem os coletes salva-vidas e saltassem para a água, cerca de cinco minutos antes da chegada do primeiro navio de socorro, para o qual subiu.
O capitão arrisca a pena de morte por "homicídio por negligência agravado", embora nenhum condenado tenha sido executado na Coreia do Sul desde 1997.
"Sei que não sairei da prisão antes da minha morte, mas não posso deixar aos meus filhos e aos meus netos o nome de um assassino", declarou Lee ao tribunal.



jn