Carros de topo, da Volkswagen à Ford ou Hyundai, têm mãos portuguesas a cuidar deles. Há até uma família dividida por equipas rivais. Eles ajudam a decidir o título.
Portugal pode não ter nenhum piloto no WRC, mas a decisão do principal título mundial de ralis vai passar por mãos portuguesas. Nomes como os de José Azevedo, Rui Cabeda, Miguel Cunha ou Sérgio Couto podem não dizer muito aos adeptos dos ralis, mas são fundamentais para as performances de Sébastien Ogier, Jari-Matti Latvala, Dani Sordo ou Ott Tanak. Eles são os mecânicos portugueses que tratam dos carros do mundial.



No pavilhão 2 do parque de assistência da Exponor, em Matosinhos, que serve de quartel-general às equipas que participam neste rali de Portugal, José Azevedo e Rui Cabeda vão recebendo por estes dias a visita de muitos conhecidos junto ao stand da Volkswagen montado no local. A cena repete-se nos da Hyundai ou da M-Sport (Ford). É uma nota comum: quase todas as as principais equipas do WRC têm mecânicos portugueses nas suas fileiras - e quase todos são da zona do Grande Porto, que este ano volta a ser palco logístico do Rali de Portugal. Por isso, aproveitam para matar saudades de quem veem poucas vezes no ano.

A vida de mecânico do WRC impõe exigências altas e uma disponibilidade total, o que leva a que todos eles se tenham mudado para os respetivos países das equipas que servem. "Exige muitos sacrifícios. Tivemos de deixar muitas coisas para trás. Só pude abraçar este projeto porque estava na disposição de me mudar para a Alemanha. Caso contrário não poderia ter entrado", explica Rui Cabeda, que se mudou de Valongo para Hanôver em 2013 para trabalhar na Volkswagen, depois de ter estado na equipa de Armindo Araújo, em 2012, quando o ex-piloto português competiu com um Mini no WRC.



dn