O escândalo de corrupção que atingiu e a FIFA pode vir a ter implicações no Estoril. Uma das empresas que está sob investigação é a Traffic, que é proprietária da SAD do Estoril.

Mas por partes.

Antes de mais é necessário recordar que uma das pessoas detidas pelas autoridades suíças foi José Hawilla, dono e fundado da Traffic Group.

José Hawilla já se deu como culpado dos crimes de conspiração para branqueamento de capitais, conspiração para extorsão, conspiração para fraude e obstrução à justiça. Foi intimado a entregar 151 milhões de dólares, tendo entregado para já 25 milhões.

O brasileiro foi uma das quatro pessoas que já se deu como culpado, sendo que há também duas empresas que se deram como culpadas: precisamente a Traffic Sports USA e a Traffic Sports International. Ambas admitiram culpa no crime de conspiração para fraude.

Ora a SAD do Estoril é detida pela Traffic Sports Europe, que por sua vez é propriedade da Traffic Sports International: precisamente uma das empresas implicadas neste caso.

Nesse sentido, é possível que a investigação chegue à SAD do Estoril.

Mas há mais.

A Traffic Sports Europe tem sede em Portugal e tem como diretor-geral Tiago Ribeiro, presidente da SAD do Estoril. No entanto, e segundo foi possível saber, a compra da participação na SAD estorilista foi feita através de dinheiro transferido da Traffic Sports International para a Traffic Europe, o que aumenta as suspeitas de colher por arrasto a SAD do Estoril nas investigações que as autoridades norte-americanas estão a desenvolver.

Para além da possibilidade das investigações chegarem ao Estoril, e talvez até mais importante do que isso, há também a suspeita de que os bens da Traffic Sports International possa ficar congelados enquanto decorre a investigação.

Como se sabe, a SAD do Estoril está em processo de venda.

Nesse sentido, os interessados em comprar a SAD estão na expetativa para perceber o que vai acontecer a seguir. Porque a venda pode ter de ser adiada, perante a hipótese dos bens da Traffic ficarem congelados e perante também a hipótese da empresa ser proibida de realizar negócios durante esta fase.

Recorde-se que a Traffic chegou a fazer um contrato promessa de compra e venda com a inglesa Fidelis. No entanto, mais tarde, João Lagos manifestou o interesse de exercer o direito de opção que tinha garantido quando vendou a mesma SAD à Traffic: ou seja, manifestou o direito de opção de readquirir a SAD.

Nesse sentido, neste momento o processo está parado, enquanto decorre o prazo de que João Lagos dispõe para exercer o direito de opção de compra.

Para além disso, a Traffic pode ser obrigada a indemnizar a Fidelis, com que já se tinha comprometido a fazer o negócio e com quem assinou uma série de cláusulas compensatórias, como é normal neste tipo de negócios.



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