Os benefícios desta proteína deixaram de ser consensuais e há cada vez mais portugueses a retirar o produto da alimentação. Associação dos produtores está a preparar uma campanha.

O consumo de leite de vaca tem gerado grande discussão, o que está a refletir-se na diminuição do consumo. Embora continue a ser recomendado institucionalmente e aconselhado por muitos especialistas devido aos benefícios para a saúde, surgem cada vez mais argumentos contra o leite, por exemplo, a intolerância à lactose.No segundo trimestre deste ano, a venda de laticínios sofreu uma quebra de 0,6% (12,6% para 12% quando se analisa o cabaz de compras) em relação ao período homólogo, confirmando a tendência recente, que a indústria associa aos "ataques" que o leite tem sofrido. Por isso, prevê lançar campanha de sensibilização para as suas vantagens nutricionais até final do ano.Ao DN, o presidente da Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep), Carlos Neves, disse que "anda a brincar-se com o leite e com os produtores." E justificou: "Faz parte da nossa alimentação e é recomendado pela Direção-Geral da Saúde e pela Associação Portuguesa de Nutricionistas. Mas têm circulado opiniões que assustam as pessoas." Para o representante, é preciso "olhar para a globalidade dos estudos. Há 50 investigações que comprovam os benefícios ao nível da osteoporose, por exemplo, e há duas que os questionam."A diminuição do consumo do leite ainda não está muito estudada, frisa o nutricionista Nuno Borges, membro da direção da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN). "Mas é muito provável que esteja relacionada com campanhas de diabolização e de atribuição de mau nome ao leite", destaca. Para cada adulto estão recomendadas duas porções por dia, lembra, ou o equivalente em derivados. E de preferência magro. "É certo que há muitas pessoas que são intolerantes e para essas não se recomenda, ou recomenda-se sem lactose." Também não será aconselhado beber um litro por dia, ressalva.



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