Sete pescadores saíram da Figueira da Foz para a faina na segunda-feira à noite. No regresso, o mar virou a embarcação. Só dois sobreviveram.




Com apenas 11 anos, Américo Tarralheira - o "Ameriquito" - já faltava às aulas para interferir nas tarefas da pesca. Herdou do pai a paixão pelo mar. Natural da praia de Mira, embarcou aos 19 anos na primeira viagem à pesca do bacalhau. Posteriormente, trabalhou nos arrastões em Peniche e no Algarve, até que conseguiu emprego numa empresa aveirense. Estaria há mais de oito anos na embarcação Olívia Ribau, que naufragou ao entrar na barra da Figueira da Foz, na terça-feira ao final da tarde, provocando quatro mortos e um desaparecido. Ontem ao início da noite, a sua morte foi confirmada: o corpo de "Ameriquito", 45 anos, foi descoberto pelos mergulhadores no interior do arrastão. Falta encontrar Adriano Camboia, de 48 anos. Só os irmãos Adriano e Paulo Conceição foram resgatados com vida.Às 16.00 de quinta-feira, Rosa Neves esperava, perto do local das buscas, que lhe trouxessem notícias. Gritava pelo "Ameriquito". Pedia ao mar que lhe devolvesse o corpo do marido. Só quis recordar os bons momentos que passaram juntos e o "homem habilidoso que ele era". "Fomos sempre muito alegres", disse ao DN. Américo era um homem de muitos ofícios. Além de pescador, fazia obras, soldava, andava no rancho e nas marchas. Batalhou para conquistar a mulher, recorda, tal como lutou toda a vida para que não faltasse nada à filha, agora com 20 anos. "Foi um lutador." Rosa relembra o dia, ainda no início do namoro, em que a salvou de "morrer afogada" na Barrinha de Mira. "Nunca mais nos largámos."



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