Investigação realçou papel de dois ex-colaboradores na abertura de portas no Brasil, Venezuela e Argélia




O inspetor tributário que lidera a equipa que investiga a "Operação Marquês" dedicou-lhes um relatório de 98 páginas. Segundo Paulo Silva, dois ex-assessores de José Sócrates no governo foram utilizados como uma espécie de "pontas de lança" para negócios internacionais, os quais teriam como beneficiários a Octopharma e empresas de Carlos Santos Silva. No documento, ao que o DN apurou, o principal investigador do processo faz uma resenha das escutas telefónicas, concluindo que os dois providenciaram a Sócrates contatos internacionais de alto nível, sendo que também foram pagos por empresas de Carlos Santos Silva.


Os dois antigos assessores - cujos nomes o DN não revela, uma vez que nenhum foi constituído como arguido no processo - já prestaram declarações na "Operação Marquês" como testemunhas. Segundo informações recolhidas, ambos terão sido confrontados com as suspeitas recolhidas através de escutas telefónicas, as quais revelam que José Sócrates (suspeito de fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais) recorria aos contatos internacionais dos ex-colaboradores para potenciar os negócios da Octopharma, empresa de Paulo Lalanda de Castro, também constituído arguido no processo. Em novembro de 2013, Sócrates terá pedido a um ex-assessor seu- que estava a trabalhar no Brasil - se este poderia marcar um encontro com o ministro da Saúde brasileiro. Para a inevstigação, este foi claramente uma solicitação em favor da Octopharma.


dn