Comissão sabia há anos da manipulação de emissões na indústria automóvel

O alemão Der Spiegel teve acesso a documentos que demonstram que Bruxelas sabia da manipulação de dados de emissões poluentes dos fabricantes de automóveis

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AFP/JULIAN STRATENSCHULTE

A Comissão Europeia tem na sua posse, pelo menos desde 2010, elementos suficientes que lhe permitiriam ter detectado a manipulação de dados acerca das emissões dos veículos a diesel e evitado um escândalo de proporções gigantescas.

De acordo com documentos a que o jornal alemão Der Spiegel teve acesso, e que estão a ser divulgados na sua edição on-line, Bruxelas mentiu quando disse que foi apanhada de surpresa com a polémica que veio a envolver o fabricante alemão Volgswagen.

Isto porque, de acordo com os documentos, o assunto chegou mesmo a ser abertamente discutido entre a Comissão e o governo alemão durante meses.

O jornal alemão esforça-se por fazer uma cronologia do escândalo, lembrando como tudo começou, nos anos 2000. Foi nessa altura que, depois de constatar que as melhorias na qualidade do ar europeu tardavam a dar sinais, pediu a uma estrutura externa para fazer monitorizações em tempo real das emissões produzidas pelos automóveis.

Essa estrutura externa era o Joint Reserach Center (JRC), que começou a fazer os primeiros testes em 2007.

Em Outubro de 2010 surgem as primeiras referências ao facto de ser “bem conhecida” a discrepância entre as emissões dos veículos a diesel, se comparados os níveis de emissão de gases poluentes nos períodos de testes que antecedem à aprovação de circulação por parte das autoridades europeias com os níveis que foram recolhidos em condições reais de condução.

Em 2012, a Comissão enviou um e-mail oficial a alguns ministros de vários países da União Europeia (entre eles os ministro de ambiente britânico, francês e o alemão) a dar conta das dificuldades que estavam a ter nas negociações com a indústria automóvel.

A indústria opunha-se à utilização da tecnologia desenvolvida pela JRC, e que permitia uma monitorização mais aproximada das emissões em tempo real.

Tratava-se de um mecanismo portátil conhecido como Freeway Performance Measurement System (PeMS), que faz a medição das temperaturas e das reacções químicas cruzando-as com dados sobre a velocidade ou a aceleração.

Foi essa tecnologia que permitiu relevar as manipulações que tiveram lugar nos Estados Unidos.

O comissário da Indústria e Empreendedorismo, Antonio Tajani, terá sido pessoalmente informado das manipulações, mas nada aconteceu.


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