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Tecnologia inovadora permite monitorização permanente de pessoas que sofreram um ataque por causas desconhecidas.

Todos os anos, há cerca de 25 mil pessoas que sofrem um acidente vascular cerebral.

Em muitas situações, ficam por conhecer as causas.

Os doentes nestas circunstâncias vivem literalmente com o coração nas mãos.

Mas há uma nova esperança para quem vive um dia de cada vez, sempre na iminência de um novo ataque: um microdispositivo, o "Linq", que, implantado no peito do doente, faz o registo, em modo contínuo, do ritmo do coração. Se houver uma arritmia (fibrilhação auricular) é enviado um email e um sms para o telemóvel do médico.

"É um grande salto, uma grande inovação tecnológica", assegura Luís Ferreira Santos, cardiologista no Centro Hospitalar Tondela/Viseu e no Hospital CUF Viseu. Foi neste último que colocou um destes microdispositivos num doente que já sofreu dois AVC, sem que se descubra a causa (ler caixa).

Estes dispositivos, também disponíveis nos hospitais públicos, já existem desde 1998, mas numa versão maior. De 62 milímetros (mm) de comprimento e 19 mm de largura, passaram para 45 mm de comprimento e 7 milímetros de largura.

Além disso, o registo só poderia ser verificado através de um aparelho fixo, no gabinete médico, quando o doente fosse à consulta, o que poderia significar uma espera de seis meses. No intervalo, o doente corria o risco de sofrer novo AVC.

"Agora, o "Linq" é implantado no doente, que leva também para casa uma box (parecida com um telefone) onde está incorporado um cartão de telemóvel.

Diariamente, a uma hora definida pelos especialistas, o aparelho verifica se houve arritmias.

Caso tenham existido, é enviado um email e sms para o telemóvel do médico", explica o cardiologista.

Por outro lado, se o doente sentir palpitações, pode accionar de imediato um gravador e, quando faz o contacto com o médico, este recebe de imediato o registo. "Fico ligado com o ritmo do coração do doente praticamente em tempo real", afirma Luís Ferreira Santos.

Esta monitorização revela-se um "grande avanço" porque, "se descobrirmos a arritmia, antes de voltar a fazer estragos, podemos medicar ou tratar correctamente, prevenindo 60% das recorrências de um AVC", adianta.

"Desde 1998 que temos a possibilidade de colocar estes dispositivos. A novidade é que, desde Agosto deste ano, as linhas de orientação do estudo da fibrilhação auricular contemplam a implantação do "Linq" para diagnosticar arritmias que possam causar AVC", sublinha o médico.

Por ano, são detectados 2289 AVC devidos a arritmias, mas, através de um estudo normal (exame de holter ou electrocardiograma), "é como acertar num bom prémio do Euromilhões, porque as arritmias são episódicas, explica Pedro Ribeiro, médico de Medicina Interna.

O doente queixa-se de desmaios, sente palpitações, mas depois vai ao médico, e, por mais exames que faça, está tudo aparentemente normal.

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