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Henriques da Cunha / Global Imagens
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Cientistas britânicos estão muito entusiasmados com a descoberta de um composto para proteger o cérebro das doenças neurodegenerativas

"É realmente muito emocionante", assinalou a professora Giovanna Mallucci, da Unidade de Toxicologia do Medical Research Center, em Leicester, cuja equipa tem trabalhado nos último anos nesta investigação científica.

Um composto que os cientistas acreditam poder travar o avanço de doenças neurodegenerativas, entre as quais se encontram o Alzhemier, a Parkinson e a demência, está em fase de conclusão.

De acordo com a BBC, Malluci espera começar em breve a fazer ensaios clínicos em pacientes e saber se o remédio funciona, dentro de dois a três anos. Uma doença neurodegenerativa é aquela em que as células do cérebro e da medula espinal são eliminadas. As funções dessas células incluem a tomada de decisões e o controle dos movimentos.

Em 2013, esta equipa foi notícia em todo o mundo quando conseguiu parar a morte das células cerebrais de um animal afectado com uma doença neurodegenerativa. Mas o composto utilizado não era apropriado para as pessoas, pois causava danos noutros órgãos.

Mas agora, duas drogas que devem ter o mesmo efeito protetor sobre o cérebro, foram encontradas e já são usadas com segurança nas pessoas. Uma delas em depressões, outra no cancro.

A nova abordagem é focada nos mecanismos naturais de defesa incorporados nas células cerebrais.

Quando um vírus "sequestra" uma célula cerebral leva a uma acumulação de proteínas virais. As células respondem por fechar quase toda a produção de proteínas, a fim de interromper a propagação do vírus.

Muitas doenças neurodegenerativas envolvem a produção de proteínas defeituosas que activam as mesmas defesas, mas com consequências mais graves. As células cerebrais fecham a produção durante tanto tempo que acabam por se matar de "fome" .

Este processo, repetido em neurónios de todo o cérebro, pode destruir movimento, memória ou mesmo matar, dependendo da doença. Pensa-se que este seja o caso que ocorre em muitas formas de neurodegeneração e por isso, encontrar uma forma de o interromper, poderia tratar várias doenças.

No estudo inicial, os investigadores conseguiram travar o avanço da doença "prion" em ratos - a primeira vez que uma doença neurodegenerativa tinha sido interrompida em qualquer animal.
Os resultados foram descritos como um "ponto de viragem".

Depois disso, o grupo de pesquisa testou mais de 1.000 drogas. Duas deram resultado na protecção das células humanas. ""Ambas eram altamente protetoras e impediram défices de memória, paralisia e disfunção de células cerebrais", disse Mallucci à BBC:

A droga mais conhecida de ambas é a trazodona, que já é tomada por pacientes com depressão.
A outra, DBM, está a ser testada em pacientes com cancro.

"É improvável que se cure completamente, mas travando a progressão, a doença de Alzheimer torna-se algo completamente diferente, sendo possível viver melhor apesar dela", salienta. Mas, embora a trazodona seja uma medicação actual, acrescenta: "Como um profissional, médica e cientista, devo aconselhar as pessoas a esperar pelos resultados".

"Estamos entusiasmados com o potencial dessas descobertas, a partir deste estudo bem conduzido e robusto", sublinhou Doug Brown, da Sociedade de Alzheimer. "Como uma das drogas já está disponível como um tratamento para a depressão, o tempo necessário para chegar a partir do laboratório para a farmácia poderia ser drasticamente reduzida", salientou.

Por seu lado, David Dexter, da associação "Parkinson no Reino Unido", afiançou:"Será um grande passo em frente se esses estudos forem replicados em humanos, com os ensaios clínicos com trazodona e a DBM".

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