A polémica em torno de dois manuais da Porto Editora alegadamente sexistas e discriminatórios pode causar mossa na imagem da marca.



A polémica em torno de dois manuais da Porto Editora considerados alegadamente sexistas e discriminatórios está a gerar uma onda de críticas, nomeadamente nas redes sociais, e pode causar mossa na imagem e reputação da marca.


Chovem nas redes sociais acusações de sexismo e anedotas envolvendo os dois manuais de atividades para rapazes e raparigas. A Porto Editora é um dos tópicos de discussão em destaque no Twitter esta quarta-feira, com mais de mil comentários à editora por causa da polémica. Vários utilizadores desta rede social partilham imagens alteradas dos dois manuais brincando com anedotas acerca das diferenças entre homens e mulheres.



“O que está em causa é uma questão de reputação, de cidadania e respeito pelo cidadão”, afirmou ao Dinheiro Vivo Pedro Tavares, sócio e presidente-executivo da On Strategy, consultora responsável em Portugal pelos estudos Brand Finance e Corporate Excellence que avaliam marcas e reputação de empresas, por exemplo.


“A marca pode ser afetada pela questão da reputação”, adiantou. Contudo, considera que “este será um caso mais pontual, como outros nas redes sociais envolvendo outras marcas”, e que “sendo gerido pelos profissionais da editora” irá minimizar os estragos.


“A crise tem de ser gerida e a marca tem de o fazer. Mas não é isto que vai colocar em causa a qualidade do produto que a editora vende”, adiantou.
Apontou que “uma situação mais grave seria se, por exemplo, os livros da editora deixassem de ser recomendados pelo Ministério da Educação”, ou se “fossem detetados erros crassos nos seus produtos”.


No centro da polémica está a acusação de que as atividades incluídas nos manuais para as raparigas são mais simples e fáceis do que as do manual para rapazes. E em destaque nas redes sociais está uma das atividades, um labirinto, que no livro para rapazes é mais complexo e no para raparigas é muito mais simples.


Os manuais em causa são o Bloco de Atividades para Meninas e Bloco de Atividades para Rapazes, publicados em julho de 2016, destinados a crianças em idade idade pré-escolar, com o objetivo de ajudar a desenvolver algumas capacidades, como a atenção e a concentração.
Porto Editora defende-se



A Porto Editora defendeu-se ontem, com um comunicado na sua página na internet, afirmando que “em ambas as edições são trabalhadas as mesmas competências, na mesma sequência e com exercícios semelhantes”.


“A diferença está na ilustração e na abordagem artística que as diferentes ilustradoras fizeram. E se há um exemplo em que o exercício no caso das meninas é aparentemente mais fácil, há vários outros em que os exercícios são aparentemente mais difíceis”, aponta a editora na mesma nota.
“Compreendemos a preocupação que estará na origem desta polémica, pois também nós, na Porto Editora, nos identificamos com os valores da igualdade e da diversidade”, e sublinha que “estas publicações não refletem uma visão discriminatória e preconceituosa”, com a qual a editora não se identifica.
Discriminação: tema está na ordem do dia

A discriminação de género está na ordem do dia e tem estado em destaque nas notícias, sendo uma realidade em todo o mundo. Em Portugal, por exemplo, as mulheres ganham menos 16,7 % do que os homens, apesar de terem mais qualificações, segundo dados divulgados em março pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego.


O tema da discriminação de género tem estado no centro das atenções nas empresas tecnológicas, por exemplo, com alegações de que existe um tratamento sexista e até assédio nas companhias de Silicon Valley, nos Estados Unidos. Entre as empresas envoltas em polémica estão gigantes como a Google e a Uber. Outros exemplos semelhantes de discriminação têm sido divulgados noutros países e envolvendo empresas conhecidas, incluindo a britânica BBC, acusada de alegadamente pagar menos a colaboradoras do sexo feminino.




dvivo