Aproximadamente 10% da população toma remédios compostos por inibidores da bomba de prótons (IPP), como o Omeprazol, para bloquear as secreções de ácido estomacal e aliviar os sintomas de azia, refluxo ácido e refluxo gastroesofágico. Essa porcentagem pode ser até sete vezes maior para pessoas com doença hepática crônica. Porém, em um estudo publicado hoje (10), pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, nos EUA, descobriram evidências em camundongos e seres humanos que a supressão ácida do estômago altera bactérias intestinais específicas, promovendo lesão hepática e a progressão de três tipos de doenças hepáticas crônicas.



“Nossos estômagos produzem ácido gástrico para matar micróbios ingeridos e tomar uma medicação para suprimir a secreção de ácido gástrico pode mudar a composição do microbioma intestinal”, explica o autor principal, Bernd Schnabl, professor associado de gastroenterologia na Escola de Medicina da Universidade de San Diego. “Uma vez que descobrimos anteriormente que o microbioma intestinal – comunidades de bactérias e outros micróbios que vivem lá – pode influenciar o risco de doença hepática, nos perguntamos o efeito que a supressão do ácido gástrico pode ter na progressão da doença hepática crônica. Descobrimos que a ausência de ácido gástrico promove o crescimento da bactéria Enterococcus nos intestinos e a translocação para o fígado, onde exacerbam a inflamação e pioram a doença hepática crônica”.
A cirrose hepática é a 12ª principal causa de morte em todo o mundo e o número de pessoas com doença hepática crônica está aumentando rapidamente nos países ocidentais. O aumento é em parte devido à crescente prevalência da obesidade, que está associada a doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD) e sua forma mais extrema, a esteatohepatite não-alcoólica (NASH) – aproximadamente metade de todas as mortes associadas à cirrose são relacionadas ao álcool.
Os IPPs, que incluem nomes de marca como Omeprazol, estão entre os medicamentos mais comumente prescritos no mundo, particularmente entre pessoas com doença hepática crônica.