Ativistas vão às ruas contra a PEC 181, que proíbe todas as formas de aborto

Pelo menos 31 cidades têm protesto marcado para esta segunda-feira

Um ato em defesa da "vida das mulheres" acontecerá em diversas capitais do Brasil nesta segunda-feira (13). Pelo menos 31 cidades estão com hora marcada para protestar contra a PEC 181, votada na última quarta-feira (8) na Câmara dos Deputados. Os eventos no Facebook lembram que 18 homens votaram a favor da criminalização do aborto até em casos de estupro e risco de vida para mulher.

No Rio de Janeiro, a concentração começa às 16h na Câmara Municipal, localizada na Cinelândia, Centro do Rio. "Nós não iremos aceitar! Vamos todas às ruas pela vida das mulheres", diz o evento no Facebook.

A atriz Camila Pitanga gravou um vídeo convocando internautas para o ato no Rio: "Querem que a mulher que engravida de um estuprador não tenha direito ao aborto, e pior, seja presa por interromper a gravidez ou morta por um aborto clandestino. Estão nos obrigando a viver uma segunda violência. É pela vida das mulheres, nem uma vida a menos", ressaltou.

Além de Pitanga, celebridades como Letícia Sabatella e Bruna Linzmeyer e a roteirista Antonia Pellegrino também se manifestaram na internet contra a PEC 181.

A legenda da imagem publicada por Bruna nas redes traz o seguinte texto: "18 homens votaram contra a criminalização do aborto até em casos de estupro e risco de vida pra mulher! Nós não iremos aceitar! Vamos todas às ruas".

Já Antônia Pellegrino compartilhou a imagem de um útero e pediu que as pessoas refletissem sobre o quão difícil é para uma mulher manter uma gravidez de bebê anencéfalo — com o cérebro extremamente subdesenvolvido e crânio incompleto, sem condições para a vida.

Inicialmente, a PEC 181 ampliava direitos trabalhistas para a mãe de prematuros, ampliando a licença maternidade nesses casos. Porém, foi considerada um "Cavalo de Troia" por ativistas e entidades que defendem a legalização do aborto e os direitos reprodutivos das mulheres. O direito ao aborto legal em casos de gravidez por estupro ou risco de morte para a mãe são direitos permitidos desde 1940 pelo Código Penal Brasileiro.

Após o placar de 18 x 1 na comissão especial formada para analisar o caso, a PEC segue para o plenário da Casa, onde deverá ser apreciada em dois turnos. Só a deputada Érika Kokay (PT-DF) votou contra a medida.

Na última sexta-feira (10), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se manifestou em sua página no Facebook para falar sobre a polêmica aprovação do texto-base de um projeto que prevê incluir na Constituição a garantia do direito à vida "desde a concepção". "Proibir aborto no caso de estupro não vai passar na Câmara", escreveu Maia.