A Comissão Europeia apresentou os seus planos para investir, em conjunto com os Estados-Membros, na construção de uma infraestrutura europeia de supercomputadores de craveira mundial


JusNet 24/2018


O tratamento de quantidades cada vez maiores de dados requer supercomputadores, que são valiosos para a sociedade em muitos domínios, desde os cuidados de saúde e as energias renováveis à segurança dos veículos e à cibersegurança.


Os planos hoje apresentados são cruciais para a competitividade e a independência da UE na economia dos dados. Cada vez mais, a indústria e os cientistas europeus tratam os seus dados fora da UE, porque a capacidade de computação disponível na União não é suficiente para satisfazer as suas necessidades de cálculo. Esta falta de independência compromete a privacidade, a proteção dos dados, os segredos comerciais e a propriedade dos dados, em particular os das aplicações sensíveis.
A nova estrutura jurídica e de financiamento – a EuroHPC, Empresa Comum – vai adquirir, desenvolver e implantar em toda a Europa uma infraestrutura de computação de alto desempenho (HPC) e de craveira mundial. Além disso, apoiará um programa de investigação e inovação para o desenvolvimento de tecnologias e máquinas (equipamento informático), bem como de aplicações (suporte lógico) que possam funcionar nesses supercomputadores.
A contribuição da UE para a EuroHPC será de cerca de 486 milhões de EUR no âmbito do atual Quadro Financeiro Plurianual, a que acrescerão as contribuições dos Estados-Membros e de países associados, de montante total semelhante. Globalmente, até 2020, o investimento público ascenderá a cerca de mil milhões de EUR, a que se juntarão contribuições em espécie das entidades privadas participantes na iniciativa.
Andrus Ansip, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Mercado Único Digital, afirmou: «Os supercomputadores são o motor da economia digital. Nesta dura competição, a UE está a ficar para trás: nenhum dos nossos supercomputadores figura na lista dos 10 melhores do mundo. Com a iniciativa EuroHPC, queremos dar aos investigadores e às empresas, até 2020, uma capacidade de computação de vanguarda mundial, para que possam desenvolver tecnologias, como inteligência artificial, e conceber as aplicações quotidianas do futuro em áreas como a saúde, a segurança ou a engenharia.»
Mariya Gabriel, comissária responsável pela Economia e Sociedade Digitais, acrescentou: «Os supercomputadores já estão no centro de importantes avanços e inovações em muitos domínios que afetam diretamente o quotidiano dos cidadãos europeus. Eles podem ajudar-nos a desenvolver a medicina personalizada, a poupar energia e a lutar contra as alterações climáticas de forma mais eficiente. Uma melhor infraestrutura europeia de supercomputação tem um grande potencial de criação de emprego e constitui um fator essencial para a digitalização da indústria e para o aumento da competitividade da economia europeia».
Carlos Moedas, comissário responsável pela investigação, ciência e inovação, adicionou: «Este é provavelmente um dos grandes exemplos que temos de valor acrescentado europeu. Nenhum país, nenhuma universidade, nenhuma empresa sozinha conseguiria fazer o que estamos a fazer aqui, hoje. Os supercomputadores vão revolucionar a aprendizagem automática, o dito 'machine learning', e essa aprendizagem vai revolucionar a própria ciência. E acredito que esta iniciativa pode multiplicar os efeitos e resultados de um programa fantástico como o Horizonte 2020.»

Benefícios da supercomputação
A HPC é um instrumento essencial para compreender e dar resposta aos grandes desafios societais e científicos, como a deteção precoce e o tratamento de doenças, ou o desenvolvimento de novas terapias baseadas na medicina personalizada e de precisão. Além disso, a HPC é utilizada para a prevenção e gestão de catástrofes naturais de grande dimensão, nomeadamente para a previsão das trajetórias dos furacões e para a simulação de terramotos.
A infraestrutura da EuroHPC dotará a indústria europeia, em particular as pequenas e médias empresas (PME), de um melhor acesso a supercomputadores para a conceção de produtos inovadores. A utilização de HPC tem um impacto crescente sobre os setores e as empresas, reduzindo significativamente os ciclos de produção, acelerando a conceção de novos materiais, minimizando custos, aumentando a eficiência dos recursos, e encurtando e otimizando os processos de decisão. Por exemplo, os ciclos de produção automóvel podem ser reduzidos graças a supercomputadores, passando de 60 para 24 meses.
A HPC também é essencial para a segurança e a defesa nacionais; por exemplo, no desenvolvimento de tecnologias de cifragem complexas, no rastreio e na resposta a ciberataques, na investigação forense ou em simulações nucleares.
Infraestrutura adequada à investigação e à inovação
A iniciativa hoje apresentada reunirá investimentos para a criação de supercomputadores e infraestruturas de megadados
europeus. A empresa comum EuroHPC tenciona adquirir sistemas com desempenhos pré-exaescala (100 mil biliões – ou 1017 – de operações por segundo) e apoiar o desenvolvimento de sistemas de desempenho à exaescala (1018 ou um trilião de operações por segundo), baseados em tecnologias da UE, até 2022-2023.
As atividades da empresa comum consistirão no seguinte:

  • Aquisição e utilização de duas máquinas de supercomputação a pré-exaescala de craveira mundial e de, pelo menos, duas máquinas de supercomputação intermédias (capazes de efetuar cerca de 1016 operações por segundo); concessão e gestão do acesso de um largo espectro de utilizadores públicos e privados a estes supercomputadores a partir de 2020.
  • Programa de investigação e inovação em HPC: Apoio ao desenvolvimento de tecnologias europeias de supercomputação, incluindo a primeira geração europeia de tecnologia de microprocessadores de baixo consumo energético, bem como à conceção colaborativa de máquinas à exaescala europeias; fomento de aplicações, do desenvolvimento de competências e de uma utilização mais ampla da HPC.

A empresa conjunta EuroHPC estará ativa de 2019 a 2026. A infraestrutura prevista será propriedade conjunta dos seus membros – numa primeira fase, os países signatários da Declaração EuroHPC e os membros privados das universidades e da indústria – e por estes gerida. A esta iniciativa poderão aderir, em qualquer momento, outros membros, mediante contribuição financeira.
(11-1-2018 | ec.europa.eu)