O consumo de energia é uma questão pertinente quando o assunto é minerar criptomoeda. Há dados, já com algum rigor, que referem ser caro minerar moedas virtuais e que o consumo energético é crescente. Calma… ainda não está tudo visto!



O Institute of Human Obsolescence, na Holanda, porque ter esse consumo em conta, trabalha já numa solução que implementa técnicas para as pessoas usarem o calor corporal para minerar criptomoedas.








Uma das grandes (r)evoluções no que toca aos recursos energéticos prende-se na forma como ahumanidade vai ter de produzir a energia. Já foram abordados vários métodos, sugeridas dicas para que cada um saiba como produzir a sua própria energia e até já se abordou esta temática ligada às modas de consumo, como é o caso do consumo de energia ligado à mineração das criptomoedas.


Estes temas estão intimamente ligados, como podemos perceber, e há já quem esteja a trabalhar numa forma de transformar o calor humano em energia elétrica.





Minerar requer muita energia




2018 será, por vários motivos e mais alguns, um ano forte para o Bitcoin e todas as outras criptomoedas. Minerar parece estar na ordem do dia e aliada a esta tendência parece estar a de produzir energia com os métodos alternativos, ecológicos.


Juntando estes dois assuntos pertinentes, eles tocam-se de forma considerável, quer pela hipotética criação de riqueza, quer pelo consumo e pela dedicação que as pessoas estão dispostas a oferecer.


Já falámos no passado que minerar requer muita energia. Há já dados que referem que por volta de janeiro de 2019, a mineração de criptomoedas poderá estar a usar cerca de 10 vezes mais energia do que já usa atualmente e o seu consumo global será tanto quanto o consumo atual de um país como a Itália, por exemplo. Serão então cerca de 291 000 000 000 kWh/ano de energia necessária daqui a 12 meses.




Desemprego, criptomoedas e baterias humanas




Da Holanda chega uma ideia muito interessante pela mão do Institute of Human Obsolescence. O objetivo por detrás destes curiosos planos passa por tentar combater o temor de desemprego que as previsões apontam, resultante da evolução tecnológica, onde a inteligência artificial poderá deixar desempregadosmilhares de profissionais. Esta estratégia leva mesmo adiante a ideia de que a mineração de criptomoedas poderá colmatar, de alguma forma, esse tal desemprego derivado da evolução tecnológica.


Assim, o projeto junta uma realidade da mineração de moeda virtual a uma outra realidade da ficção cientifica, onde o ser humano era transformado numa espécie de “bateria orgânica” e onde produzir energia corporal se tornasse uma atividade remunerada e considerada mesmo como uma profissão.



O corpo de um adulto pode gerar cerca de 100 watts



Indo ao encontro das necessidades prementes de energia, a proposta do IoHO, como podemos ler aqui, passa por usar o corpo humano como uma espécie de “bateria” que estaria ao serviço da mineração de criptomoedas, traduzindo esse novo encargo num emprego.


Assim, se o corpo de um adulto gera cerca de 100 watts em repouso, cerca de 80% dessa energia acaba desperdiçada por excesso. A ideia do instituto é justamente captar esse excesso de calor do corpo e transformá-lo em energia elétrica para minerar criptomoedas.


As máquinas estão a superar-nos. Tal como, há tempos atrás, também aconteceu aos cavalos depois da invenção da máquina a vapor, os humanos também estão a tornar-se obsoletos para realizar trabalhos mecânicos. Logo, os avanços na inteligência artificial também irão afetar as nossas possibilidades de sermos trabalhadores úteis ao realizar tarefas intelectuais.


O IoHO explora esse cenário e tenta fazer as perguntas sobre como nos reposicionaremos no papel de humanos na sociedade, particularmente em como iremos lidar com um mercado de trabalho dominado por máquinas. A nossa obsolescência irá criar um cenário no qual novas formas de trabalho irão emergir e florescer. O nosso objetivo é explorar, questionar e intervir em cenários dessa transição.


A equipa calculou que cerca de 1700 kW de eletricidade podem ser gerados a partir do calor humano da população holandesa.


Esse calor é adquirido a partir de um traje que possui geradores termoelétricos que recolhem o diferencial de temperatura do corpo humano e do ambiente, convertendo-o em eletricidade utilizável, energia essa que irá manter em funcionamento um computador (que está ligado ao traje) e que tem como missão minerar criptomoedas.


O conceito agora proposto não contempla nenhum pré-requisito para que qualquer pessoa se torne um “doador”, já que os “operários” só terão de se manter deitados sem fazer nada.


Da ficção à realidade



Atualmente a equipa tem já 37 trabalhadores que produzem perto de 130 mW nas 212 horas trabalhadas, o que equivale a quase 17 mil moedas geradas, entre elas a Vertcoin, Startcoin e Ethereum.


Existem 4 ciclos de operações biológicas de 22, 69, 39 e 84 horas, o que significa que as 212 horas totais contabilizadas foram divididas em turnos de 1, 2 ou 3 horas entre 37 trabalhadores distintos.



Bizarro… mas quem sabe um dia será real



Olhando de forma descontraída para este tipo de “emprego”, vemos uma atividade que atualmente poderá ser apenas bizarra. Contudo, se projetarmos para um futuro próximo o crescimento da população, o aumento da tecnologia a operar, o aumento dos requisitos vitais e a tomada de lugares na produção em várias áreas da indústria e comércio, facilmente iremos perceber que a energia será escassa e que somos todos potenciais fornecedores.