Utilizar o telemóvel após as 22h pode aumentar os níveis de solidão e o risco de depressão nos indivíduos, revela um novo estudo.



A comunidade científica ainda não pode provar sem sombra de dúvidas que as interferências exteriores que afetam o relógio biológico provocam de facto esses problemas, mas defendem que existem cada vez mais evidências que apontam para o facto da vida moderna estar de facto a “alterar o ritmo natural do organismo humano”.

De acordo com o jornal britânico The Times, os indivíduos que passam o serão noturno a visualizar informação e a interagir nas redes sociais, a ver televisão ou a vaguear pela casa estão mais propensos a sofrerem de oscilações de humor, incluindo de neuroticismo e de doença bipolar.

Apresentam também uma maior probabilidade de se auto classificarem como mais infelizes e solitários, indica o estudo publicado no periódico científico The Lancet Psychiatry.

O artigo resultante da pesquisa, sugere que a vida moderna está a impactar no relógio biológico dos indivíduos. “O dia é destinado à realização de atividades e a escuridão e a noite são para dormir”, pode ler-se.

Pesquisas anteriores já tinham estabelecido uma conexão entre o trabalho por turnos e a disrupção do ciclo natural de 24 horas do corpo, e os efeitos nocivos que o processo tem a longo prazo na saúde.

Mas de acordo com este artigo, este último estudo é a primeira tentativa em larga escala de se medir a disrupção do relógio natural através da utilização de monitores portáteis em 91 mil voluntários, de meia idade.

Os monitores classificaram os ritmos circadianos dos indivíduos relativamente ao quão longe estavam de um padrão considerado saudável durante o dia (destinado a ser ativo) e a noite (reservada para o descanso).

Surpreendentemente, um quarto dos voluntários demonstraram ter um padrão de atividade anormal – que se caraterizava por níveis de atividade quase semelhantes durante o dia e durante a noite.

Em declarações ao The Times, o líder do estudo, o professor Daniel Smith, afirmou: “Trata-se de indivíduos com uma péssima higiene do sono, pessoas que ficam acordadas até à meia-noite a ver o Facebook ou que se levantam a meio da noite para beberem uma chávena de chá”.

Pessoas com padrões anormais do sono apresentam um maior risco, de 6%, de virem a sofrer de depressão, e estão mais propensas a virem a padecer de doença bipolar, em cerca de 11%. Mais ainda os níveis de felicidade são 9% mais baixos, comparativamente aos indivíduos que descansam e se ‘desligam’.

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