Um preso no corredor da morte de um estabelecimento prisional do Nevada, nos Estados Unidos, cuja execução já foi adiada duas vezes diz que a batalha legal pelo seu destino tem-no torturado e à sua família, por isso só quer que a sentença seja cumprida.

O Estado devia "fazê-lo de uma vez por todas, fazê-lo eficazmente e parar de discutir sobre isso", confessou Scott Raymond Dozier à Associated Press.

"Quero ser muito claro sobre isto. É esse o meu desejo", expressou ao telefone a partir da Prisão Estatal de Ely. "Deviam parar de me punir e à minha família ao serem incapazes de levar a cabo a minha execução", declarou.

Os comentários de Scott surgiram meses depois de um juiz em Las Vegas ter adiado a sua morte à última da hora. As leis do Estado do Nevada requerem que a pena de morte seja cumprida por injeção letal. Mas as empresas farmacêuticas têm expressado a sua objeção a que os seus medicamentos sejam usados em execuções.

O Nevada, que não executa um preso desde 2006, tornou-se um modelo do problema com que os Estados com pena de morte se têm deparado nos últimos anos ao tentarem obter drogas para as injeções letais.

A execução de Scott foi adiada para meados de novembro deste ano enquanto os responsáveis prisionais apelam ao Supremo Tribunal do Nevada para reconsiderar as restrições feitas até então.

Scott, de 47 anos, disse que quer seguir em frente com a sua morte e que não se importa de sentir dor. "Eu não quero, na verdade, morrer. Mas prefiro isso a passar o resto da vida na prisão", confessa. Os críticos, no entanto, consideram que se trata de uma procura por um suicídio assistido pelo Estado.

O homem diz que não vai contestar a sua sentença, mas apesar de tudo nega ter sido responsável pelos homicídios relacionados com drogas em 2002 de que foi acusado e condenado em 2007.

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