Quantas vezes por semana fica de mau humor? Esse número pode ser um indicador de problemas de saúde, indica um estudo publicado recentemente na revista Brain, Behavior and Immunity, e divulgado pela revista VEJA.

Segundo os dados apurados, o mau humor está associado a níveis mais elevados de inflamação no organismo – tratando-se de uma resposta natural do corpo perante lesões e infeções, assim como pode ser um sintoma de doenças crónicas e de outras patologias.

Para efeitos daquela pesquisa, os investigadores analisaram os dados de 220 participantes recolhidos através da pesquisa Escape, que avalia os efeitos do stress sobre o envelhecimento cognitivo, fisiologia e emoção. Ao contrário dos estudos anteriores, que investigam o humor através do efeito evocado (no qual os participantes respondem um questionário para relatar manifestações de humor registados durante a semana ou mês anterior), os resultados relatados pelos investigadores foram alcançados ao analisar o efeito momentâneo ecológico (EMA), que monitoriza as alterações de humor em tempo real.

Segundo a equipa da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, o EMA é mais eficiente porque captura as experiências afetivas enquanto estas ocorrem, já o primeiro modelo está sujeito à memória e a fatores de personalidade.

Resultados

Ao longo da experiência, os participantes recebiam notificações pelo telemóvel cinco vezes ao dia para que avaliassem dentro de uma escala de um a sete as emoções positivas (feliz, entusiasmado, alegre, descontraído, calmo e satisfeito) ou negativas (irritável, triste, tenso, entediado, stressado, deprimido, nervoso, chateado e desapontado) que vivenciavam. No final das duas semanas, os voluntários também responderam a um questionário retroativo a respeito dos sentimentos exibidos durante os 14 dias do estudo.

Foram ainda recolhidas amostras de sangue para determinar os níveis de citocinas inflamatórias – substâncias envolvidas na resposta inflamatória – e as concentrações de proteína C-reativa (PCR) – substância produzida no fígado que ajuda no diagnóstico de inflamações.

Ao analisar o estudo completo de duas semanas, os investigadores não encontraram uma ligação entre as alterações de humor (positiva ou negativa) coletadas pelo EMA e pelo questionário de memória e os marcadores de inflamação. Entretanto, quando apenas a última semana foi analisada, notou-se uma conexão entre os marcadores e o efeito negativo (NA) relatados pelo EMA.

“O NA da semana 2 foi significativamente associada com níveis mais altos de citocina -7, substância que mede a inflamação. Até onde sabemos, estas são as primeiras análises a mostrar associações significativas entre o NA momentâneo e subsequentemente avaliar a inflamação periférica”, explicaram os autores na pesquisa.

Inflamação e humor

De acordo com os investigadores, a descoberta aponta para a existência de algum tipo de relação entre as alterações negativas diárias do humor e os marcadores de inflamação que podem ser indicadores de problemas de saúde. Apesar disso, eles ressaltam que ainda serão necessárias mais investigações para entender melhor essa conexão.

“Estamos empolgados com estas descobertas e esperamos que estimulem pesquisas adicionais para entender a associação entre humor e inflamação, o que pode estimular novas intervenções psicossociais que promovem a saúde de forma ampla e ajudam a quebrar um ciclo que pode levar à inflamação crónica, incapacidade e outras doenças”, conclui a investigadora Jennifer Graham-Engeland.

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