O coração acelerado, ou demasiadamente lento, pode indicar que há algo de errado na saúde cardiovascular. As arritmias cardíacas, caracterizadas pelos batimentos irregulares do coração, podem surgir por diversos motivos e de três maneiras díspares: taquicardia, quando o coração bate rápido demais, bradicardia, quando os batimentos são lentos e, quando estão irregulares, é chamada de fibrilação arterial.

Estima-se que em Portugal 5% da população sofre com algum tipo de arritmia, principalmente os jovens, e não os indivíduos mais velhos como comummente se pensa.

Segundo o cirurgião cardíaco e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, o médico Élcio Pires Júnior, nem todas as arritmias são graves. Consideradas como arritmias cardíacas benignas ou esporádicas, esta versão da condição dura poucos segundos, comum em casos de medo ou ansiedade. O problema está na arritmia cardíaca maligna. “As alterações nas batidas do coração causam um impacto no bombeamento de sangue para o organismo, o que pode trazer consequências graves, como a morte súbita”, conta o cirurgião.



Quais são os sintomas?

Os sintomas das arritmias cardíacas incluem as palpitações, que podem durar alguns minutos ou até semanas, enjoos, desmaios, vertigens, queda da pressão e fadiga. E os fatores de risco para o desenvolvimento da condição são tabagismo, obesidade e excesso de peso, sedentarismo, hipertensão, abuso de bebidas alcoólicas, apneia do sono, diabetes, stress e histórico familiar da doença.

“Alguns pacientes podem desenvolver arritmias através de medicamentos para o tratamento de outras doenças, como os que tratam problemas da tiroide e asma. O abuso de substâncias como a cafeína, nicotina, cocaína e termogénicos também podem levar uma pessoa a desenvolver as arritmias cardíacas”, alerta o médico.

Tem tratamento?

Embora cada caso seja único, pacientes com arritmias cardíacas malignas, necessitam de tratamento adequado e acompanhamento médico. Em muitos casos, a mudança do estilo de vida do paciente pode trazer melhorias significativas e ser o suficiente para curar as arritmias.

“O tratamento das arritmias pode ser feito através de medicamentos ou, em casos mais graves, uma cirurgia pode ser indicada. Alguns dispositivos implantáveis como o CDI (cardioversor desfibrilador implantável), podem melhorar o quadro das arritmias. Pacientes com arritmias cardíacas tratadas podem levar uma vida normal, inclusive praticar exercício físico diariamente”, esclarece o especialista.

Como prevenir?

A prevenção para as arritmias cardíacas é a mesma para qualquer outra complicação cardiovascular: é preciso adotar hábitos saudáveis.

“Além de abandonar o cigarro e moderar o consumo de álcool, a prevenção de arritmias é feita com uma alimentação equilibrada e exercício físico. A obesidade e o sedentarismo também podem levar uma pessoa a desenvolver a doença, portanto, é preciso ficar atento e fazer a manutenção do peso. Cuidar da saúde emocional também é essencial para evitar o stress e impedir que o coração seja sobrecarregado”, finaliza o cirurgião.

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