Um jovem de 24 anos morreu por falta de irrigação cerebral depois de um médico do 112 ter recusado enviar um ambulância para prestar-lhe assistência. De acordo com o El Mundo, Aitor García esperou mais de 23 minutos, e só depois de outra chamada para o 112 foi enviada a ambulância, mas foi tarde demais.

O jovem já tinha entrado em morte cerebral. Ainda foi transportado para o hospital, mas morreu quatro dias depois.

O áudio da chamada telefónica para o 112, a que o jornal espanhol teve acesso, mostra o desespero da mãe de Aitor, Carmen Ruiz, que viu o seu filho a desfalecer diante de si, tendo-lhe sido negada ajuda.

A mulher ligou para o 112 e explicou que o filho não estava a sentir-se bem. Suava muito e disse ao médico do outro lado da linha que o filho queixava-se de não conseguir respirar. O médico insistiu em falar com Aitor, apesar de Carmen lhe ter dito que o filho não conseguia. Mas perante a intransigência do médico, Carmen passou o telefone a Aitor.

“Afogo-me”, disse Aitor ao médico. “Eu não te oiço a afogares-te. Estás nervoso ou assim?”, perguntou o médico. “Nãooo”, respondeu Aitor, com dificuldades em verbalizar o que sentia. O médico pediu-lhe para passar o telefone à mãe e afirmou a Carmen que Aitor “estava a respirar perfeitamente”.

Por ser domingo, perguntou-lhe se o jovem tinha tomado alguma coisa. “Não, ele ontem nem saiu, esteve em casa o dia todo”, respondeu a mãe de Aitor. Antes da chamada terminar, o médico do 112 referiu que seria enviado um médico para avaliar Aitor, mas sem urgência.

Instantes depois, Aitor começou a ficar “azul”, entrou em paragem cardiorrespiratória. Passam-se 23 minutos, uma nova chamada para o 112 é feita e chega uma ambulância. O médico que avalia Aitor disse a Carmen que o “cérebro esteve demasiado tempo sem ser irrigado”. Aitor estava já em morte cerebral.

O jovem que sofreu uma embolia pulmonar morreu por falta de irrigação cerebral no dia 14 de janeiro de 2018. “Não podemos ter a certeza de que o meu filho poderia ter sido salvo, mas tenho a certeza que se perdeu a oportunidade de ele poder viver”, afirma Bartolomé, o pai de Aitor.

A família exige agora uma indemnização de 175 mil euros à Comunidade de Madrid, onde está sediado o serviço do 112 de Espanha. Mas a Comunidade de Madrid garante que os procedimentos foram feitos de forma correta e que a conversa com o primeiro médico não permitiu determinar se o jovem estava mesmo a 'afogar-se'.



IN:NM