Em outubro de 1984, Kathryn Dwyer Sullivan fez história, por ser a primeira norte-americana a realizar uma caminhada espacial. Segundo reza a história, a ex-astronauta é uma das cinco mulheres que integraram a primeira equipa de astronautas que incluía elementos femininos, formada pela NASA, em 1979. Agora, 36 depois, Kathy, com 68 anos, volta a fazer história, tornando-se na primeira mulher a alcançar a Challenger Deep, o ponto mais profundo dos muitos fundos marinhos do globo.


Depois de voar mais alto, esta aventureira mergulhou mais fundo… por lugares (quase in)alcançáveis!







O que é a Challenger Deep?


A Depressão Challenger (Challenger Deep) é o ponto mais baixo da Terra. Situa-se na Fossa das Marianas, perto das Ilhas Marianas. A terra mais próxima é a Ilha Fais, do arquipélago de Yap, a 289 km a sudoeste, e Guam, a 306 km a nordeste. Este é o ponto conhecido mais profundo do fundo do mar do planeta (os oceanos), com uma profundidade de 10.902 a 10.929 metros.

Fez-se mais uma vez história

No domingo, dia 7 de junho, a ex-astronauta e oceanógrafa Kathy Sullivan mergulhou 35 810 pés, cerca de 11 quilómetros, abaixo da superfície terrestre. Assim, Sullivan tornou-se a primeira pessoa a caminhar no espaço e a descer até ao mais profundo dos oceanos.



Durante cerca de uma hora e meia, Kathy Sullivan esteve com Victor L. Vescovo, um explorador que financiou a operação, a aproximadamente 11 quilómetros abaixo da superfície terrestre. O companheiro de viagem felicitou Kathy, no Twitter, por ser a primeira mulher a chegar ao fundo do oceano.



Para esta expedição foi usado o Limiting Factor, um submarino de investigação projetado para as profundezas do oceano. Posteriormente, após filmarem o ponto mais profundo dos oceanos, iniciaram a subida, que viria a durar cerca de 4 horas.






Kathy Sullivan: um amor híbrido

Além disso, e já no navio, a dupla ainda contactou um grupo de astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), a cerca de 409 quilómetros acima da Terra. De forma inédita, a EYOS Expeditions coordenou uma chamada entre a ISS e a DSSV Pressure Drop, navio do Limiting Factor.



Como oceanógrafa e astronauta isto foi um dia extraordinário, uma oportunidade única na vida, ver a paisagem lunar, a partir do Challenger Deep, e comparar notas com os meus colegas da ISS.


Disse Sullivan numa declaração divulgada, na segunda-feira, pela EYOS Expeditions, empresa que coordenou a logística da missão.










Pouco tempo depois de pisar o espaço, Kathy Sullivan tornou-se administradora da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. Isto, porque o seu fascínio pelo oceano nunca a abandonou. Ademais, antes de se tornar astronauta, participou numa das primeiras tentativas de usar um submarino para o estudo de processos vulcânicos.



A confirmar o seu currículo associado aos oceanos, Tim Shank, biólogo do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, afirma que a Dra. Sullivan é líder absoluto no estudo dos oceanos. Além disso, revelou:




Fico entusiasmado por ouvir que ela estava nele. Sempre que conseguimos chegar a lugares da Terra tão extremos, para aprender sobre eles, é um grande acontecimento.


Challenger Deep é controverso e quase inalcançável

Este que é o ponto mais profundo da Terra foi descoberto pelo HMS Challenge, um navio da Marinha Real Britânica, que navegou pelos oceanos de 1872 a 1876. Desde aí, várias foram as expedições que tentaram medir a profundidade do ponto, provocando vários desentendimentos sobre valores exatos e até mesmo sobre quem o terá alcançado primeiro.


Atualmente, existe apenas um submarino no mundo capaz de chegar ao Challenger Deep, segundo Tim Shank.





Imagem do ponto mais profundo da Terra




Conforme foi dado a conhecer, em abril de 2019, Vescovo dirigiu um submarino até à Challenger Deep, tornando-se na 4.ª pessoa a alcança-la. Assim, declarou que o seu mergulho foi o mais profundo alguma vez conseguido por um ser humano. Todavia, James Cameron, diretor do filme Titanic, discorda e insiste que o parceiro de Sullivan atingiu a mesma profundidade que ele, em 2012, a bordo do Deepsea Challenger.



Kathy Sullivan participa na missão da Caladan Oceanic, pela EYOS Expeditions, que inclui vários mergulhos até à Challenger Deep. De acordo com a empresa, após este marco histórico, a oceanógrafa irá permanecer no mar mais alguns dias.




PP