Na madrugada do dia 15 de junho, os australianos foram surpreendidos por um incrível e raro fenómeno. Durante 30 segundos, os céus da Austrália foram percorridos por uma bola de fogo em tons de verde brilhante, que assustou os habitantes do oeste australiano. Apesar de não haver certezas sobre do que se tratava, foi especulado que pudesse ser um pedaço de lixo espacial. Contudo, depois de uma análise ao brilho do objeto incandescente, os astrónomos concluíram que seria um meteorito a queimar na nossa atmosfera.


Entrou sem darmos conta e pode ter saído da nossa atmosfera sem ser totalmente consumido.









Um objeto brilhante desconhecido, mas pesado. Será um meteorito?


De acordo com a BRAMON, uma organização sem fins lucrativos que visa desenvolver e operar uma rede para monitorização de meteoritos, não é possível determinar o início e o fim deste objeto, bem como a sua trajetória. Isto, porque a bola de fogo desaparece entre as nuvens.



Todavia, é possível concluir que o provável meteorito percorreu “uma enorme distância”, nos 30 segundos que levou a traçar o céu australiano. Para isso, atingiu uma velocidade estimada de 20 km/s, aproximadamente 72 mil km/h, passando entre Barrow Island e Cape Preston. Depois, o possível asteroide de algumas toneladas seguiu em direção ao nordeste e desapareceu no Oceano Índico.







Pesquisa para descobrir a sua origem

A Desert Fireball Network, um sistema de 50 câmaras que abrange cerca de 3 milhões de quilómetros quadrados de céu australiano, estuda, durante todas as noites, estrelas cadentes e meteoritos que entrem na nossa atmosfera. Isto, porque os cientistas pretendem recuperá-los e estudá-los, se sobreviverem à queda na Terra.



E com isso, o que é bastante fantástico, podemos recalcular e perceber de que parte do Sistema Solar veio. Não só isso, podemos ver se resta alguma rocha, no final. Podemos descobrir onde pode ter efetivamente aterrado e ir recuperá-la.


Disse Eleanor Sansom, responsável pelo projeto da Desert Fireball Betwork, à Science Daily.



Por capturar vários objetos diferentes, que dão entrada na nossa atmosfera, a equipa poderia descobrir de onde teria vindo a bola de fogo. No entanto, a mais recente aparição ficou fora do alcance da tecnologia desta rede.



Sansom revelou ainda que, de facto, a equipa tinha câmaras a cobrir a área por onde a bola de fogo passou. Contudo, uma vez que a rocha nativa é magnetite, torna-se difícil distinguir este tipo de rocha magnética das rochas espaciais.



A bola de fogo não terá caído no solo e não parece que tenha sido consumida na totalidade. Segundo parece, esta deve ter rasado o nosso planeta e continuado o seu trajeto, entrado e saído da nossa atmosfera. Assim, embora todas as evidências assim o indiquem, não se pode afirmar com toda a certeza que era um meteorito.







Especulações em torno do fenómeno

Por não haver certezas quanto às propriedades do objeto, rapidamente surgiram teorias. Aliás, aquando a passagem da bola brilhante, algumas reações determinaram que seria apenas lixo espacial a cair na nossa atmosfera. Mas as características do fogo e da trajetória imediatamente recusaram essa explicação.



De acordo com a astrónoma Renae Sayers, da Universidade Curtin, tendo em conta os vídeos, a bola de fogo era, muito provavelmente, um objeto natural.



O que tendemos a ver, quando são objetos, como detritos espaciais ou satélites a arder, são estalos e faíscas. [Mas] isto é um disparo limpo, foi uma linha relativamente forte, não vimos demasiada fragmentação.


Revelou Renae.
Quanto à sua tonalidade, Matt Woods, do Observatório de Perth, especulou que a cor esverdeada poderia estar relacionada com a presença de magnésio queimado. Por sua vez, Glen Nagle, da estação de observação CSIRO-NASA, em Camberra, acreditava que a cor sugeria um elevado nível de ferro.




Um mistério que sobrevoou Austrália

Sansom diz que mais de 95% da luz visível é, na verdade, a própria atmosfera a arder. Assim sendo, e tendo apenas os vídeos como objeto de análise, é particularmente difícil obter informação sobre a composição da rocha espacial. Por isso, o máximo que se consegue retirar é o quão alto estava a voar, através da sua cor.


Muitas das nossas bolas de fogo vão ficar verdes e, depois, tornar-se-ão mais alaranjadas, à medida que vão ficando mais profundas.


Referiu Sansom.



Ainda que nada seja certo, pela sua experiência, Sansom acredita que o tamanho do objeto iria de uma bola de basquetebol até uma máquina de lavar roupa. O seu trajeto, por fim, poderia ter seguido três caminhos: arder completamente na atmosfera, regressar ao espaço, ou cair na Terra.




PP