A menos que tenha uma central elétrica na Sibéria, não compensa. Saiba como funciona a mineração e os custos que comporta.


Esqueça a imagem de um mineiro com capacete e uma picareta na mão. De forma simplificada, "mineiros" de criptomoedas são pessoas que fazem funcionar, por exemplo, a rede bitcoin, e são recompensadas por isso com moedas virtuais. Esta atividade foi muito rentável no passado. Hoje, é questionável se compensa, pelo menos para o comum dos mortais.

Mas expliquemos do início. Sempre que ocorre uma transação de bitcoins, a pessoa que faz o pagamento "assina" a operação com uma chave privada, um código que só ela tem. Para que esta transação seja válida, é necessário resolver um puzzle criptográfico, que comprova que a chave privada "encaixa".


Só dessa forma a operação é autenticada.

A informação é comunicada à rede bitcoin, que a acrescenta à blockchain, uma espécie de livro de registo que contém o histórico da criptomoeda.

Ou seja, o papel dos mineiros é encontrar uma sequência que torne um bloco de transações de bitcoins compatível com o bloco anterior. Para isso, o computador precisa de efetuar milhares de cálculos por segundo para encontrar a combinação perfeita. Para os incentivar a encontrar a solução e acrescentar um novo bloco à blockchain, é-lhes atribuída uma pequena quantidade de bitcoins. E de onde vem o termo "mineiro"? Este trabalho intensivo de computação, recompensado por novas unidades de criptomoedas, foi comparado à mineração para extrair pedras ou metais preciosos. E o termo ficou. De notar que nem todas as criptomoedas funcionam com este sistema (designado "proof of work").

A nossa análise neste artigo aplica-se apenas à bitcoin e a criptomoedas com um modelo semelhante.

Lei não proíbe mineração

As criptomoedas continuam a ser uma área cinzenta na maioria dos países, e ainda mais em Portugal. A lei não proíbe que se façam trocas de criptomoedas ou "mineração", mas também não confere a estes "ativos digitais" qualquer estatuto em concreto.

Do ponto de vista fiscal, a venda de bitcoins não é, segundo a Autoridade Tributária, "tributável em IRS face ao ordenamento fiscal português, designadamente no âmbito da categoria E (capitais) ou G (mais-valias)". Mas, se as transações forem feitas no âmbito da atividade profissional ou empresarial, então, sim, é preciso declarar esses rendimentos e pagar o respetivo imposto. Neste caso, o contribuinte será tributado na categoria B.

Equipamento necessário

Em teoria, qualquer pessoa pode minerar bitcoins, desde que tenha um computador com uma grande capacidade de processamento (hardware) e um programa informático (cliente), ou um smartphone com uma aplicação para minerar criptomoedas.

Um exemplo de "cliente" é o Bitcoin Core, disponibilizado no site bitcoin.org. Mais não é do que uma evolução do código inicialmente proposto por Satoshi Nakamoto, o alegado criador desta criptomoeda. Mas, como a bitcoin se caracteriza pela descentralização e ausência de regras, não existe um "cliente" único.

Há que ter em conta que o algoritmo desta moeda virtual ajusta a dificuldade do puzzle à medida que o poder da rede aumenta. Por outras palavras, quanto mais capacidade de mineração houver, mais difícil será minerar bitcoins.