Comecemos por destacar algumas das doenças mais frequentes nesta época do ano, a saber: intoxicações alimentares, desidratação, queimaduras solares, isolação e otites.

Intoxicações alimentares

São doenças muito comuns transmitidas por alimentos contaminados por microorganismos, por exemplo bactérias, vírus e parasitas, ou através das suas toxinas. A título de exemplo, as gastroenterites ocupam o primeiro lugar nas listagens de maior prevalência de doenças no mundo!

Qualquer alimento pode ficar contaminado, e a manifestação da doença é variável podendo demorar minutos, horas ou dias.

A sintomatologia surge com náuseas, vómitos, diarreia, dores abdominais, dores de cabeça, arrepios de frio, febre, mialgias (dores musculares) e mal-estar geral.

Duram habitualmente de um a três dias e nalguns casos podem prolongar-se durante uma semana.

Algumas regras são essenciais para evitar as intoxicações alimentares: lavagem sistemática das mãos sempre que manusear alimentos crus; não manipular os alimentos se estiver com diarreia ou vómitos; usar sempre água potável; não reaquecer a comida mais de uma vez; manter sempre limpas as bancas, os utensílios de cozinha, as torneiras, os lavatórios e os assentos sanitários.

Devem separar-se os alimentos crus dos alimentos cozinhados e limpar os utensílios após terem sido usados, cozinhar bem os alimentos, ler as instruções dos rótulos e cumpri-los rigorosamente.

Desidratação

As altas temperaturas provocadas pela onda de calor do exterior podem levar a hipertermia - aumento da temperatura corporal - e desidratação.

A desidratação pode originar quadros de confusão mental, tonturas, fadiga, mal-estar geral, dores de cabeça, contraturas musculares, náuseas e vómitos e nalguns casos embora raros podem surgir convulsões.

Os idosos representam um dos grupos mais vulneráveis, porque facilmente desidratam (lábios, língua secos e redução da quantidade de urina, são alguns sinais da desidratação). Pelo que é indispensável um acompanhamento médico individualizado, pois a exposição ao calor, pode desencadear a desidratação com consequente perda de sais minerais, sendo aconselhável para além de uma adequada ingestão de água incentivar ao consumo de verduras, legumes e fruta para repor os sais minerais perdidos na transpiração.

Queimaduras solares e insolação

A exposição excessiva e desprotegida ao sol, quer na praia, na piscina ou no campo, pode levar à insolação, causada pelo sobreaquecimento do corpo.



A insolação pode provocar mal-estar, febre, fraqueza, dificuldade em respirar, taquicardia (batimentos cardíacos acelerados), vómitos, tonturas, desmaios e queimaduras na pele, sendo aconselhável evitar o sol entre as 10h e as 16h, beber pelo menos dois a três litros de água por dia.

Evitar a insolação é fácil: basta fazer a proteção adequada do sol, com bonés, chapéus e roupas que cubram uma boa parte do corpo, e evitar expor-se ao sol nos horários críticos e fazer uma boa hidratação.

As queimaduras surgem por excesso de exposição solar, por falta de uso de protetor solar e por permanecer ao sol nos horários de maior incidência dos raios UVA e UVB.

A pele pode ficar de cor avermelhada, limita-se a camada superficial da pele (epiderme) (queimadura do 1.º grau), com bolhas (atinge as duas primeiras camadas da pele-epiderme e derme-queimadura do 2.ºgrau) ou noutras situações este tipo de queimadura penetra por toda a espessura da pele (queimadura do 3.ºgrau).

O uso do protetor solar e a higienização da pele são a melhor forma de evitar as queimaduras.

Otites

Após os mergulhos no mar ou na piscina os canais auditivos ficam molhados e facilitam a entrada de bactérias e vírus provocando uma infeção e surgem as otites, a inflamação ou infeção dos ouvidos devido ao acumular de água do mar ou da piscina no canal auditivo. Os sintomas mais frequentes são dores fortes e febre.

Recomenda-se usar protetores auriculares quando se entra na água e, se isso não for possível, deve secar bem esta região com uma toalha.

Caso estas situações sejam frequentes, deve consultar o seu otorrinolaringologista.

A prevenção é a melhor arma!

O contexto de pandemia que atravessamos tem vindo a afastar as pessoas dos cuidados de saúde. Constatamos que muitos doentes evitam recorrer aos Hospitais para o acompanhamento tradicional global e preventivo do controlo das suas patologias, comprometendo a vigilância antecipada e recomendada. É importante incentivar as pessoas a retomarem as suas rotinas de saúde.

Prevenir fatores de risco e rastrear as principais patologias é a melhor forma de investir na saúde. Por muito preenchida que seja a nossa vida, é importante consultar o médico assistente para a habitual consulta de rotina. Não adie mais e procure o seu médico! Porque a prevenção é a melhor arma.


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