1. Saber como funcionam
Como em qualquer investimento, é importante conhecer o produto em que vai investir e saber como funciona. A volatilidade das criptomoedas e o facto de não serem reguladas por nenhum supervisor obrigam a alguns cuidados. Ainda que possam proporcionar ganhos inesperados aos investidores e estejam isentas de intermediários ou de comissões, os benefícios podem não compensar os riscos.

Assim, antes de começar a investir, a primeira regra de ouro é informar-se. Neste breve podcast do Banco de Portugal pode conhecer os principais prós e contras deste ativo digital.

2. Ter consciência do risco
Tal como pode lucrar, é importante estar ciente de que também pode perder parte ou a totalidade do valor investido na compra de criptomoedas.

Se tal acontecer, não existe nenhum mecanismo que possa acionar para reaver o dinheiro, à semelhança do que acontece, por exemplo, com os depósitos bancários que estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Se não gosta de arriscar, antes prefere garantir o resgate do que gastou, opte por outro tipo de investimento.

3. Desconfiar quando a “esmola for grande”
A regra é comum ao mundo real e ao virtual. Se um negócio parece demasiado bom para ser verdade, provavelmente é uma fraude. Ou seja, pode perder o dinheiro que investiu e, sem querer, estar a ajudar a financiar atividades ilegais.

Dada a ausência de supervisão, as criptomoedas podem, muitas vezes, ser usadas para esquemas ilícitos. Ou seja, em burlas que atraem investidores menos informados, mas também em operações relacionadas com lavagem de dinheiro ou financiamento do terrorismo.

Na dúvida, pesquise na internet sobre a plataforma, site ou entidade e tente perceber se está associada a fraudes ou esquemas financeiros menos claros.

4. Controle a sua ambição
Gastar muito com o objetivo de ganhar ainda mais não é uma boa opção. O comportamento volátil das criptomoedas (que valorizam e desvalorizam muito rapidamente) pode originar grandes perdas. Até para perceber como funciona este investimento, comece por aplicar um montante baixo e que não seja necessário para outras despesas. Como o valor de uma unidade pode ser alto (uma bitcoin vale dezenas de milhares de euros), compre frações dessa unidade.

5. Ser paciente
É mais uma regra que se aplica a qualquer tipo de investimento e que, no caso das criptomoedas, é ainda mais crítica. São precisos poucos minutos para que ocorra uma valorização ou desvalorização. Isto significa que, se entrar em pânico caso esteja a perder dinheiro, ao decidir vender pode hipotecar as hipóteses de recuperar o que gastou quando se registar uma nova subida.


6. Ser cauteloso
Sendo um investimento com riscos, é ainda mais importante investir com responsabilidade e cautela. Isto implica não só conhecer os prós e os contras das criptomoedas, mas também perceber que não pode arriscar todas as suas economias neste tipo de negócio. Deve também perceber se a plataforma que usa é credível ou se existem queixas ou até suspeitas de crime.

7. Proteger dados pessoais e equipamentos
Estamos a falar de transações que ocorrem online e em que terá de usar dados pessoais e bancários para trocar euros por criptomoedas ou para fazer pagamentos. Deve, por isso, ter os mesmos cuidados que tem quando usa o homebanking ou faz compras online.

8. Evite deixar-se influenciar
Certamente já viu anúncios online ou publicações de youtubers e influencers que apelam ao investimento em criptomoedas, alegando que é possível ganhar muito dinheiro. Não se esqueça que estas pessoas são pagas para fazer esses apelos e que nada garante que invistam realmente em criptomoedas ou que tenham ficado milionárias com o negócio. Sendo seu o dinheiro a aplicar, deve avançar apenas com a certeza de que é uma opção segura. Evite fazê-lo por mera influência ou pressão de terceiros.

9. Guardar o código
Para aceder aos fundos guardados na wallet, vai necessitar de um código, que deve guardar com o máximo cuidado. Se o perder, fica impossibilitado de movimentá-los. É como se tivesse dinheiro no banco, mas nunca mais o pudesse usar.

Um artigo do NY Times, publicado em dezembro de 2021, revela que quase 20% das 18,5 milhões de bitcoins existentes em circulação estão inacessíveis, porque os proprietários não conseguem aceder às suas carteiras. Existem serviços que tentam recuperar este acesso, mas o melhor mesmo será garantir que não perde o código.

10. Encarar como um valor e reserva
Pense nas criptomoedas como se fossem barras de ouro. Isto é, uma reserva a que poderá um dia recorrer, mas não como fonte imediata de rendimento. Ou seja, o que ganhar com as criptomoedas não deve ser encarado como meio de pagamento para as despesas do dia-a-dia.
Além disso, o risco de liquidez, ou seja, a dificuldade ou a margem de demora na venda das suas criptomoedas é real. Por isso, não pode contar com este investimento para fazer face a situações urgentes.