Opel Corsa OPC

A vestimenta agressiva não engana. O Opel Corsa OPC oferece uma experiência de condução plena de emoções e sem meios-termos. Com 192 cv, também é o mais potente da nova geração de pequenos desportivos 1.6 Turbo.
Com um design definido como “paixão pela geometria”, este Corsa OPC pode reivindicar para si o título do mais agressivo dos pequenos desportivos. Testemunho dessa capacidade de “dar nas vistas” é a quantidade de olhares que atrai, principalmente entre a faixa etária onde se encontra a esmagadora maioria do seu público-alvo.

Os interiores mantêm a chama da vestimenta exterior, com os fundos de instrumentos em tom azul e umas excelentes bacquets Recaro, à conta das quais é possível conseguir uma bela posição de condução e todo o suporte necessário para “encaixar” os g’s prometidos por uma dinâmica exuberante.
Este “look” agressivo deixa transparecer uma alma inquieta, a qual se manifesta na condução. Com o carro sujeito a pequenas cargas, típicas de uma utilização citadina, os comandos mostram uma desconcertante ausência de progressividade e é muito difícil obter uma progressão fluida, muito por culpa de uma embraiagem que parece alterar o seu ponto de pega a cada passagem de caixa. O melhor é dar algum espaço as carros que nos precedem, arrancar com decisão, que é como quem diz com uma carga de acelerador importante, e só passar de caixa quando estamos entre as 3000 e 3500 rpm. Divertido, mas na franja do “politicamente” correcto e pouco eficiente em matéria de consumos...

O Corsa OPC não pertence àquele tipo de carros que se revelam numa condução suave, pensada e fluida. Muito pelo contrário. O pequeno desportivo da Opel gosta de ser brutalizado: temos de atacar como se estivéssemos a querer “fazer um tempo”, com a determinação e o golpe de volante característicos de Fernando Alonso. Fazendo as passagens de caixa entre as 6000 a 6500 rpm, utilizando o acelerador em modo ON/OFF, executando travagens “como se não houvesse amanhã” e obrigando o carro a uma inscrição em força, o Corsa parece entrar dentro da janela de acção para a qual foi projectado. Os comandos ganham uma progressividade impensável e, simultaneamente, vêm ao de cima as enormes reservas de aderência e agilidade do chassis: por exemplo, os travões que a baixas velocidades se revelam demasiado sensíveis, quando quentes, ficam com um ataque mais progressivo e revelam uma potência e resistência inesperadas. O seu terreno de caça predilecto está nas estradas sinuosas com curvas descritas no leque de velocidades abrangido pela 2ª e 3ª relações, sobretudo se a estas características morfológicas estiver associado um piso de elevado grip mecânico. Essas são as condições ideais para se evidenciarem as suas melhores armas: a impressionante velocidade de entrada e a decisão nas mudanças de direcção. O Corsa OPC é um carro do tipo apontar-disparar, com um chassis afinado para mudanças de direcção secas e bruscas. Aliviando o pé é possível soltar a traseira, mas esse movimento acontece de forma pouco linear, pelo que se revela mais um recurso de emergência do que uma forma de condução. A tracção é boa, sobretudo se optarmos por usar a potência disponível nos regimes intermédios. Infelizmente, a falta de linearidade e informação provenientes da direcção impedem uma colocação mais precisa, tornando difícil explorar os elevados limites. O resultado aparece na forma de trajectórias pouco redondas, até porque o fenómeno do “torque steer” leva o Corsa a querer continuar a curvar após estas já terem acabado.

Mas é na estabilidade e precisão direccional a alta velocidade, sobretudo em recta, uma vez que a aplicação de carga decorrente do exercício de curvar produz um efeito benéfico sobre a direcção, que esta mais deixa a desejar. Mesmo assim, batemo-nos sempre com um excesso de resposta aos pequenos movimentos.
Em suma, a condução do Corsa OPC é uma questão de tudo ou nada, exigindo concentração, decisão e empenho para mostrar o melhor de si mesmo.