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A insuficiência cardíaca mata e afecta 380 mil portugueses. Mas é silenciosa e continua esquecida

Feraida

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A insuficiência cardíaca afecta cerca de 380 mil pessoas em Portugal, mas não tem recebido a prioridade necessária, faltando meios para a diagnosticar de forma precoce, conclui um grupo de peritos.

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créditos: Pixabay

“A insuficiência cardíaca é uma síndrome com elevada prevalência, morbilidade e mortalidade, que representa uma sobrecarga económica e social de grande magnitude. Porém, em Portugal tem sido alvo de pouca atenção”, avisa o grupo de especialistas que elaborou um documento de consenso sobre a doença. Cândida Fonseca, médica que coordenou o documento, sublinha que “há uma necessidade urgente de priorizar a insuficiência cardíaca na agenda da saúde”.

A ideia não passa por pedir mais recursos ou mais verbas, mas antes realocar os que existem, de modo a diagnosticar mais precocemente a doença, nomeadamente nos cuidados de saúde primários. “Pretendemos até poupar recursos.

O facto de não estarmos despertos para o diagnóstico precoce, não termos alguns meios de diagnóstico disponíveis e comparticipados nos cuidados primários faz com que a doença seja tardiamente diagnosticada. Muitas vezes é-o quando o doente vai à urgência e já está muito mal, descompensado.

E é onde se gasta a maior parte do dinheiro com insuficiência cardíaca. A ideia é poupar com internamentos, prevenindo-os. Investir na prevenção”, resumiu Cândida Fonseca.

Aliás, dados nacionais de 2015 mostram que o número de internamentos por insuficiência cardíaca cresceu 33% em oito anos, de 2004 a 2012.

A médica explica que a doença tem um quadro clínico pouco específico (que passa pela falta de ar ou cansaço), que é comum a várias outras doenças e pode acontecer que nem se desenvolvam sintomas.

Muitas vezes, o diagnóstico faz-se por exclusão.

Há inclusivamente uma análise de sangue que permite excluir a doença, mas não está disponível de forma comparticipada nos cuidados de saúde primários.

Assim, os peritos pretendem que o diagnóstico seja melhorado através da disponibilização nos centros de saúde de meios comparticipados para detectar ou excluir a patologia.

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Portugueses com insuficiência cardíaca consomem elevados recursos em cuidados de saúde primários

Dados de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa revelados no Dia da Insuficiência Cardíaca, assinalado a 5 de maio.

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Em 2014, os doentes com insuficiência cardíaca (IC) acompanhados em cuidados de saúde primários tinham uma idade média de 77 anos e mais de metade (58%) eram mulheres. A esmagadora maioria (93%) tinha pelo menos uma outra doença relevante associada, sendo as mais frequentes a pressão arterial elevada (81%), diabetes (32%) e doença isquémica do coração (27%). Os doentes realizaram, em média, 5 consultas com o médico de família e a quase totalidade consumiu medicamentos relacionados com a sua doença cardiovascular, durante esse ano.

Em contrapartida, cerca de um terço (35%) não realizou quaisquer exames médicos relacionados com a doença cardiovascular, no contexto do seu seguimento nos cuidados de saúde primários. Em média, o custo de seguimento destes doentes nos cuidados de saúde primários foi estimado em 552€ por ano, sendo a medicação o principal componente deste custo. O consumo de recursos foi mais elevado no grupo etário dos 70 aos 79 anos de idade.

Estas são algumas das conclusões de um estudo realizado pelo Centro de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em colaboração com o Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Católica Lisbon School of Business and Economics e financiado por uma bolsa de investigação da Novartis, apresentado no Congresso Europeu de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Europeia de Cardiologia, que decorreu entre os dias 29 de abril e 2 de maio, em Paris.

A análise incidiu sobre uma população de 1,9 milhões de utentes que teve pelo menos uma consulta com o médico de família na Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo durante 2014. Destes, 25 000 (1,4%) estavam registados com o diagnóstico de insuficiência cardíaca. Este valor é cerca de 30% do esperado de acordo com a prevalência da doença em Portugal. A diferença pode ser explicada pelo facto do diagnóstico de IC não ter sido registado (sub-registo) ou realizado (subdiagnóstico) em cuidados de saúde primários, ou ainda, pelo facto de o doente não ter tido nenhuma consulta com o seu médico de família durante 2014.

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