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China passa a ter nada a perder se taxas aumentarem mais 50%
Sobretaxa de Trump aos produtos chineses que entram nos Estados Unidos deverá aumentar para 54% na quarta-feira.
Pequim está a aproximar-se de um ponto em que não tem "nada a perder" na guerra comercial com Washington, afirmaram economistas, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado aumentar as taxas em mais 50% sobre produtos chineses.
"A margem de lucro do setor exportador chinês é entre 30% e 40%", escreveu Dan Wang, diretor para a China do grupo de reflexão ('think tank') Eurasia Group. "Se os Estados Unidos impuserem taxas alfandegárias superiores a 35%, a maior parte dos seus lucros será eliminada. O facto de as taxas serem de 70% ou mesmo de 1000% não faz grande diferença, uma vez que impede a China de negociar diretamente com os Estados Unidos", argumentou.
Desde a sua tomada de posse, em janeiro, Trump já aplicou uma sobretaxa adicional de 20% sobre produtos chineses que entram nos Estados Unidos. Esta sobretaxa deverá aumentar para 54% na quarta-feira.
Em resposta, Pequim anunciou que vai impor taxas de 34% sobre os produtos norte-americanos a partir de quinta-feira. O Presidente dos Estados Unidos ameaçou na segunda-feira aumentar as taxas em mais 50% se Pequim mantiver a sua decisão.
No conjunto, as taxas iriam para cerca de 115%, segundo Su Yue, economista principal para a China na Economist Intelligence Unit.
"Além disso, todas as conversações com a China sobre as reuniões que solicitaram connosco serão encerradas", ameaçou Trump.
Wang explicou que, apesar de os exportadores chineses enfrentarem agora a nova realidade de um aumento permanente dos custos de exportação, isso não significa que as exportações vão parar. Pelo contrário, obriga os exportadores a encontrarem novos mercados e a reduzirem o envio de mercadorias diretamente para os EUA.
Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe para a região Ásia-Pacífico do banco de investimento francês Natixis, também minimizou a última ameaça de Trump.
"O mercado dos EUA já está fechado para os produtos chineses, pelo menos diretamente da China para os EUA, pelo que [um aumento adicional de 50% das tarifas] não é uma ameaça [eficaz]", considerou.
A decisão reflete o facto de os EUA estarem a visar a China mais do que qualquer outro país, o que "já acontecia antes de a China retaliar", frisou.
A China ameaçou hoje "tomar resolutamente contramedidas para salvaguardar os seus próprios direitos e interesses", em resposta à ameaça de Trump.
Em comunicado, o Ministério do Comércio disse que a imposição pelos EUA das "chamadas 'tarifas recíprocas'" à China é "completamente infundada e é uma prática típica de 'bullying' unilateral".
"As contramedidas tomadas pela China têm como objetivo salvaguardar a sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento e manter a ordem normal do comércio internacional. São completamente legítimas", lê-se no comunicado. "A ameaça dos EUA de aumentar as taxas sobre a China é um erro em cima de um erro e mais uma vez expõe a natureza chantagista dos EUA. A China nunca aceitará isso. Se os EUA insistirem nesse caminho, a China lutará até ao fim", apontou.
Correio da Manhã

Sobretaxa de Trump aos produtos chineses que entram nos Estados Unidos deverá aumentar para 54% na quarta-feira.
Pequim está a aproximar-se de um ponto em que não tem "nada a perder" na guerra comercial com Washington, afirmaram economistas, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado aumentar as taxas em mais 50% sobre produtos chineses.
"A margem de lucro do setor exportador chinês é entre 30% e 40%", escreveu Dan Wang, diretor para a China do grupo de reflexão ('think tank') Eurasia Group. "Se os Estados Unidos impuserem taxas alfandegárias superiores a 35%, a maior parte dos seus lucros será eliminada. O facto de as taxas serem de 70% ou mesmo de 1000% não faz grande diferença, uma vez que impede a China de negociar diretamente com os Estados Unidos", argumentou.
Desde a sua tomada de posse, em janeiro, Trump já aplicou uma sobretaxa adicional de 20% sobre produtos chineses que entram nos Estados Unidos. Esta sobretaxa deverá aumentar para 54% na quarta-feira.
Em resposta, Pequim anunciou que vai impor taxas de 34% sobre os produtos norte-americanos a partir de quinta-feira. O Presidente dos Estados Unidos ameaçou na segunda-feira aumentar as taxas em mais 50% se Pequim mantiver a sua decisão.
No conjunto, as taxas iriam para cerca de 115%, segundo Su Yue, economista principal para a China na Economist Intelligence Unit.
"Além disso, todas as conversações com a China sobre as reuniões que solicitaram connosco serão encerradas", ameaçou Trump.
Wang explicou que, apesar de os exportadores chineses enfrentarem agora a nova realidade de um aumento permanente dos custos de exportação, isso não significa que as exportações vão parar. Pelo contrário, obriga os exportadores a encontrarem novos mercados e a reduzirem o envio de mercadorias diretamente para os EUA.
Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe para a região Ásia-Pacífico do banco de investimento francês Natixis, também minimizou a última ameaça de Trump.
"O mercado dos EUA já está fechado para os produtos chineses, pelo menos diretamente da China para os EUA, pelo que [um aumento adicional de 50% das tarifas] não é uma ameaça [eficaz]", considerou.
A decisão reflete o facto de os EUA estarem a visar a China mais do que qualquer outro país, o que "já acontecia antes de a China retaliar", frisou.
A China ameaçou hoje "tomar resolutamente contramedidas para salvaguardar os seus próprios direitos e interesses", em resposta à ameaça de Trump.
Em comunicado, o Ministério do Comércio disse que a imposição pelos EUA das "chamadas 'tarifas recíprocas'" à China é "completamente infundada e é uma prática típica de 'bullying' unilateral".
"As contramedidas tomadas pela China têm como objetivo salvaguardar a sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento e manter a ordem normal do comércio internacional. São completamente legítimas", lê-se no comunicado. "A ameaça dos EUA de aumentar as taxas sobre a China é um erro em cima de um erro e mais uma vez expõe a natureza chantagista dos EUA. A China nunca aceitará isso. Se os EUA insistirem nesse caminho, a China lutará até ao fim", apontou.
Correio da Manhã