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Temos duas zonas no cérebro responsáveis pela previsibilidade e imprevisibilidade do timing das nossas acções.
Esta espécie de «separação de poderes» dentro da nossa cabeça foi estudada pela primeira vez por neurocientistas do Centro Champalimaud, em Lisboa.
Os testes foram feitos em ratos e o estudo é publicado esta quarta-feira na revista Neuron.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia Shutterstock
Pode ser uma questão de segundos. Se agirmos demasiado cedo ou um pouco mais tarde podemos estragar tudo. Podemos falhar o alvo, desperdiçar oportunidades. Agir no momento certo exige, já se sabe, experiência e adaptação às situações. Neurocientistas do Centro Champalimaud, em Lisboa, estudaram com atenção esse clique de decidirmos agir e concluíram que o timing das nossas acções nunca é totalmente previsível.
Temos duas zonas no cérebro responsáveis pela escolha do momento certo para agir. Uma é responsável pela previsibilidade do timing da acção, habitualmente sustentada pela experiência acumulada, outra pela imprevisibilidade. O estudo que analisa esta «separação de poderes» dentro da nossa cabeça é hoje publicado na revista norte-americana Neuron.
«Este estudo ajuda a desvendar como o cérebro toma decisões. Ao identificarmos regiões específicas do cérebro envolvidas em acções imprevisíveis, podemos começar a entender como o cérebro gera novos comportamentos, como é crítico para os processos criativos que alimentam todos os artistas e empreendimentos científicos», diz à NM o neurocientista Zach Mainen, que liderou o estudo.
Mais um passo para percebermos como o nosso cérebro se comporta, mais um avanço para a ciência. «Pela primeira vez, duas áreas do cérebro de mamíferos foram ligadas a aspectos previsíveis versus imprevisíveis do comportamento», sublinha o cientista.
E acontece tudo ao mesmo tempo.
«Há muitas regiões do cérebro envolvidas na tomada de decisões, incluindo outras além das duas que estudámos. Todas elas funcionam em simultâneo e não sequencialmente», explica Mainen.
A escolha do momento de agir pode ser tão importante com a acção a executar. Só que há aqui uma componente aleatória, de imprevisibilidade, que tem uma palavra a dizer neste processo.
Como é que o cérebro joga com essa previsibilidade e o acaso na escolha do momento certo para agir?
Como interagem as duas áreas do nosso cérebro?
«O nosso objectivo era perceber melhor os mecanismos cerebrais que determinam o timing das acções. Interessava-nos, em especial, a grande variabilidade do instante em que as acções são executadas – e o facto de este aparente carácter aleatório do timing existir mesmo quando a situação que motiva a acção é sempre a mesma», adianta o cientista. «Uma interacção semelhante entre optimização e geração de variabilidade está na base da teoria da evolução. Aqui começamos a ver como se joga no cérebro.»
A escolha do momento de agir pode ser tão importante com a acção a executar.
Só que há aqui uma componente aleatória, de imprevisibilidade, que tem uma palavra a dizer neste processo.
Os neurocientistas fizeram testes em ratos e verificaram então que o momento preciso da execução de uma acção é uma combinação de uma componente previsível e de uma componente imprevisível que são processadas por regiões diferentes do cérebro. E, como sabemos, a imprevisibilidade pode ser benéfica em determinadas situações.
Se numa situação específica, a acção fosse executada sempre da mesma forma não haveria liberdade para a criatividade, espaço para pensar em melhores e inovadoras soluções.
As fintas dos jogadores de futebol antes dos remates, por exemplo. Se numa situação específica, a ação fosse executada sempre da mesma forma não haveria liberdade para a criatividade, espaço para pensar em melhores e inovadoras soluções.
Como é que o cérebro consegue optimizar o timing das acções em função das circunstâncias, mas retendo, em simultâneo, uma boa dose de imprevisibilidade? Esta foi a pergunta de partida.
Os testes foram feitos com ratos.
Os cientistas treinaram os animais para executarem uma tarefa que testava a paciência dos bichos.
Os ratos ouviam um som e, a determinada altura, tinham de decidir deslocar-se a um bebedouro de água.
Os ratos perceberam que se esperassem por um segundo som, antes de irem beber, a quantidade de água era maior do que se deslocassem ao bebedouro logo após o primeiro som.
O tempo que estavam dispostos a esperar pelo segundo som era, em parte, previsível. Mas, ao mesmo tempo, havia uma componente de imprevisibilidade na acção.
Numa segunda fase, os cientistas registaram a actividade dos neurónios na região do córtex pré-frontal, parte do cérebro responsável pelas tomadas de decisão, planificação e aprendizagem, e na região do córtex motor, do controlo dos movimentos.
As duas regiões são necessárias para a escolha do momento certo para agir, mas comportam-se de maneiras diferentes.
Uma monitoriza o tempo de espera ideal com base na experiência adquirida, outra também o faz mas acrescenta-lhe variabilidade que torna as decisões imprevisíveis.
E é esta espécie de separação de poderes nunca tinha sido analisada pela ciência.
«Descobrimos que duas áreas diferentes do cérebro parecem desempenhar papéis muito importantes na geração do timing da acção», conclui Mainen.
Fonte
Esta espécie de «separação de poderes» dentro da nossa cabeça foi estudada pela primeira vez por neurocientistas do Centro Champalimaud, em Lisboa.
Os testes foram feitos em ratos e o estudo é publicado esta quarta-feira na revista Neuron.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia Shutterstock
Pode ser uma questão de segundos. Se agirmos demasiado cedo ou um pouco mais tarde podemos estragar tudo. Podemos falhar o alvo, desperdiçar oportunidades. Agir no momento certo exige, já se sabe, experiência e adaptação às situações. Neurocientistas do Centro Champalimaud, em Lisboa, estudaram com atenção esse clique de decidirmos agir e concluíram que o timing das nossas acções nunca é totalmente previsível.
Temos duas zonas no cérebro responsáveis pela escolha do momento certo para agir. Uma é responsável pela previsibilidade do timing da acção, habitualmente sustentada pela experiência acumulada, outra pela imprevisibilidade. O estudo que analisa esta «separação de poderes» dentro da nossa cabeça é hoje publicado na revista norte-americana Neuron.
«Este estudo ajuda a desvendar como o cérebro toma decisões. Ao identificarmos regiões específicas do cérebro envolvidas em acções imprevisíveis, podemos começar a entender como o cérebro gera novos comportamentos, como é crítico para os processos criativos que alimentam todos os artistas e empreendimentos científicos», diz à NM o neurocientista Zach Mainen, que liderou o estudo.
Mais um passo para percebermos como o nosso cérebro se comporta, mais um avanço para a ciência. «Pela primeira vez, duas áreas do cérebro de mamíferos foram ligadas a aspectos previsíveis versus imprevisíveis do comportamento», sublinha o cientista.
E acontece tudo ao mesmo tempo.
«Há muitas regiões do cérebro envolvidas na tomada de decisões, incluindo outras além das duas que estudámos. Todas elas funcionam em simultâneo e não sequencialmente», explica Mainen.
A escolha do momento de agir pode ser tão importante com a acção a executar. Só que há aqui uma componente aleatória, de imprevisibilidade, que tem uma palavra a dizer neste processo.
Como é que o cérebro joga com essa previsibilidade e o acaso na escolha do momento certo para agir?
Como interagem as duas áreas do nosso cérebro?
«O nosso objectivo era perceber melhor os mecanismos cerebrais que determinam o timing das acções. Interessava-nos, em especial, a grande variabilidade do instante em que as acções são executadas – e o facto de este aparente carácter aleatório do timing existir mesmo quando a situação que motiva a acção é sempre a mesma», adianta o cientista. «Uma interacção semelhante entre optimização e geração de variabilidade está na base da teoria da evolução. Aqui começamos a ver como se joga no cérebro.»
A escolha do momento de agir pode ser tão importante com a acção a executar.
Só que há aqui uma componente aleatória, de imprevisibilidade, que tem uma palavra a dizer neste processo.
Os neurocientistas fizeram testes em ratos e verificaram então que o momento preciso da execução de uma acção é uma combinação de uma componente previsível e de uma componente imprevisível que são processadas por regiões diferentes do cérebro. E, como sabemos, a imprevisibilidade pode ser benéfica em determinadas situações.
Se numa situação específica, a acção fosse executada sempre da mesma forma não haveria liberdade para a criatividade, espaço para pensar em melhores e inovadoras soluções.
As fintas dos jogadores de futebol antes dos remates, por exemplo. Se numa situação específica, a ação fosse executada sempre da mesma forma não haveria liberdade para a criatividade, espaço para pensar em melhores e inovadoras soluções.
Como é que o cérebro consegue optimizar o timing das acções em função das circunstâncias, mas retendo, em simultâneo, uma boa dose de imprevisibilidade? Esta foi a pergunta de partida.
Os testes foram feitos com ratos.
Os cientistas treinaram os animais para executarem uma tarefa que testava a paciência dos bichos.
Os ratos ouviam um som e, a determinada altura, tinham de decidir deslocar-se a um bebedouro de água.
Os ratos perceberam que se esperassem por um segundo som, antes de irem beber, a quantidade de água era maior do que se deslocassem ao bebedouro logo após o primeiro som.
O tempo que estavam dispostos a esperar pelo segundo som era, em parte, previsível. Mas, ao mesmo tempo, havia uma componente de imprevisibilidade na acção.
Numa segunda fase, os cientistas registaram a actividade dos neurónios na região do córtex pré-frontal, parte do cérebro responsável pelas tomadas de decisão, planificação e aprendizagem, e na região do córtex motor, do controlo dos movimentos.
As duas regiões são necessárias para a escolha do momento certo para agir, mas comportam-se de maneiras diferentes.
Uma monitoriza o tempo de espera ideal com base na experiência adquirida, outra também o faz mas acrescenta-lhe variabilidade que torna as decisões imprevisíveis.
E é esta espécie de separação de poderes nunca tinha sido analisada pela ciência.
«Descobrimos que duas áreas diferentes do cérebro parecem desempenhar papéis muito importantes na geração do timing da acção», conclui Mainen.
Fonte