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EUA envia venezuelanos para cadeia em El Salvador sem acusação ou julgamento
Donald Trump baseia deportação de imigrantes numa lei de 1798. Nicolás Maduro diz que medida é um “sequestro”.
Recorrendo à lei de inimigos estrangeiros, de 1798, que invoca “poderes de guerra”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a deportar para El Salvador algumas centenas de venezuelanos com o argumento de que pertenceriam a um gangue criminoso. Acontece que nem os EUA estão envolvidos em qualquer conflito, nem está provado que os deportados pertencem, como diz Trump, ao grupo criminoso venezuelano ‘Tren de Aragua’. E estas foram razões suficientes para que o juiz federal James Boasberg tivesse ordenado o fim das deportações em massa.
Mas o mal já estava feito e os alegados delinquentes, que não foram alvo de qualquer acusação formal e, naturalmente, também não foram nem julgados, nem condenados, já haviam ingressado no infame Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot). Trata-se de uma megacadeia inaugurada em janeiro de 2023 pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, e que pretendeu ser uma espécie de símbolo da luta do país contra o crime organizado transnacional. Com uma capacidade para 40 mil detidos, o Cecot do presidente salvadorenho, de extrema-direita, não recebe os imigrantes de forma desinteressada. Os EUA pagam à volta de 5,5 milhões de euros a El Salvador para receber todos aqueles que Trump rotulou de criminosos e, dessa forma, Nayib Bukele também cimenta o seu capital de confiança junto do inquilino da Casa Branca.
É um “sequestro”, diz Nicolás Maduro
Numa reação à medida de Donald Trump, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, classificou a detenção de cidadãos venezuelanos em El Salvador como “sequestro”. “Que crimes cometeram os nossos jovens ou os nossos migrantes em El Salvador para serem sequestrados” naquele país, questionou Maduro. O presidente da Assembleia Nacional (parlamento) da Venezuela afina pelo mesmo diapasão. Jorge Rodríguez não entende “como é possível que 200 homens e mulheres venezuelanos de bem, tenham sido levados para um país estrangeiro", como El Salvador, "sem conhecerem El Salvador e sem terem cometido qualquer tipo de crime, nem em El Salvador nem nos EUA”.
Nayib Bukele, o ditador ‘cool’
Desde que chegou ao poder, em 2019, Nayib Bukele soma popularidades não só em El Salvador, mas um pouco por toda a América do Sul. Publicitário na empresa do pai, Nayib Bukele conhece a força das redes sociais e foi também por elas que ganhou notoriedade. Mas foi no combate ao crime num país que já foi o mais perigoso do Mundo que se afirmou como político. Criou o Centro de Confinamento do Terrorismo, pelo que é acusado de violar elementares direitos humanos, que não são apagados nem pela forma informal como veste nem por se intitular de um ditador ‘cool’.
Suspeitas de ligação ao crime transnacional
O ‘Tren [comboio] de Aragua’ é um grupo criminoso nascido em 2014, na cadeia de Tocorón, no estado venezuelano de Aragua. Liderado por Héctor Guerrero Flores, o grupo assumiu a liderança da cadeia onde foi construída uma piscina, clube noturno e até um pequeno jardim zoológico. A organização é das mais temidas e violentas e aliou-se ao PCC brasileiro. Nos EUA, a influência do gangue não é totalmente conhecida, mas suspeita-se que esteja envolvido no tráfico de ‘tusi’, droga sintética em pó para misturar com MDMA ou fentanil.
Correio da Manhã

Donald Trump baseia deportação de imigrantes numa lei de 1798. Nicolás Maduro diz que medida é um “sequestro”.
Recorrendo à lei de inimigos estrangeiros, de 1798, que invoca “poderes de guerra”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a deportar para El Salvador algumas centenas de venezuelanos com o argumento de que pertenceriam a um gangue criminoso. Acontece que nem os EUA estão envolvidos em qualquer conflito, nem está provado que os deportados pertencem, como diz Trump, ao grupo criminoso venezuelano ‘Tren de Aragua’. E estas foram razões suficientes para que o juiz federal James Boasberg tivesse ordenado o fim das deportações em massa.
Mas o mal já estava feito e os alegados delinquentes, que não foram alvo de qualquer acusação formal e, naturalmente, também não foram nem julgados, nem condenados, já haviam ingressado no infame Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot). Trata-se de uma megacadeia inaugurada em janeiro de 2023 pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, e que pretendeu ser uma espécie de símbolo da luta do país contra o crime organizado transnacional. Com uma capacidade para 40 mil detidos, o Cecot do presidente salvadorenho, de extrema-direita, não recebe os imigrantes de forma desinteressada. Os EUA pagam à volta de 5,5 milhões de euros a El Salvador para receber todos aqueles que Trump rotulou de criminosos e, dessa forma, Nayib Bukele também cimenta o seu capital de confiança junto do inquilino da Casa Branca.
É um “sequestro”, diz Nicolás Maduro
Numa reação à medida de Donald Trump, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, classificou a detenção de cidadãos venezuelanos em El Salvador como “sequestro”. “Que crimes cometeram os nossos jovens ou os nossos migrantes em El Salvador para serem sequestrados” naquele país, questionou Maduro. O presidente da Assembleia Nacional (parlamento) da Venezuela afina pelo mesmo diapasão. Jorge Rodríguez não entende “como é possível que 200 homens e mulheres venezuelanos de bem, tenham sido levados para um país estrangeiro", como El Salvador, "sem conhecerem El Salvador e sem terem cometido qualquer tipo de crime, nem em El Salvador nem nos EUA”.
Nayib Bukele, o ditador ‘cool’
Desde que chegou ao poder, em 2019, Nayib Bukele soma popularidades não só em El Salvador, mas um pouco por toda a América do Sul. Publicitário na empresa do pai, Nayib Bukele conhece a força das redes sociais e foi também por elas que ganhou notoriedade. Mas foi no combate ao crime num país que já foi o mais perigoso do Mundo que se afirmou como político. Criou o Centro de Confinamento do Terrorismo, pelo que é acusado de violar elementares direitos humanos, que não são apagados nem pela forma informal como veste nem por se intitular de um ditador ‘cool’.
Suspeitas de ligação ao crime transnacional
O ‘Tren [comboio] de Aragua’ é um grupo criminoso nascido em 2014, na cadeia de Tocorón, no estado venezuelano de Aragua. Liderado por Héctor Guerrero Flores, o grupo assumiu a liderança da cadeia onde foi construída uma piscina, clube noturno e até um pequeno jardim zoológico. A organização é das mais temidas e violentas e aliou-se ao PCC brasileiro. Nos EUA, a influência do gangue não é totalmente conhecida, mas suspeita-se que esteja envolvido no tráfico de ‘tusi’, droga sintética em pó para misturar com MDMA ou fentanil.
Correio da Manhã