Face Oculta: tribunal obriga encarregado de Manuel Godinho a falar

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Tribunal obriga encarregado de Manuel Godinho a falar

O tribunal de Aveiro obrigou hoje um encarregado do empresário das sucatas Manuel Godinho a depor como testemunha de acusação no julgamento do caso Face Oculta, após a sua insistência em recusar prestar declarações.
Valentim dos Santos, que surgiu no tribunal de Aveiro acompanhado do seu advogado, interpôs recurso de uma decisão do colectivo de juízes que obrigava a testemunha a prestar depoimento.
Apesar do recurso ainda não ter sido objecto de despacho, o juiz presidente Raul Cordeiro decidiu ouvir a testemunha, alegando que o mesmo não tem efeitos suspensivos.
«Não há, neste momento, fundamento para não levar a cabo a inquirição da testemunha», concluiu o magistrado, acrescentando que, caso o recurso venha a obter procedência, «tal situação terá relevo quanto à possibilidade, ou não, de valorar o depoimento em termos de fundamentação da decisão final».
Valentim dos Santos já se tinha recusado a depor numa anterior sessão do julgamento, por ter sido julgado e absolvido num caso relacionado com o alegado furto de carris e travessas num troço desactivado da Linha do Tua, matéria que também faz parte deste processo.
Após estes incidentes, a testemunha acabou por prestar depoimento, admitindo que esteve a trabalhar no levantamento da linha do Tua em 2004, ao serviço da O2, que pertence a Manuel Godinho, o principal arguido no processo 'Face Oculta'.
O funcionário do sucateiro não soube, no entanto, precisar qual o local onde tinham sido feitos os carregamentos.
«Foi numa passagem qualquer, perto de uma estação», referiu.
Valentim dos Santos adiantou ainda que, durante os dois dias em que decorreram os trabalhos, não apareceu ninguém da Refer.
«E apareceu algum guarda da GNR para falar consigo?», questionou o juiz presidente.
«Disseram-me que sim, mas não estou recordado», afirmou a testemunha, acrescentando que teve problemas de saúde nos últimos dois anos e que, por isso, estava «muito esquecido».
Valentim dos Santos afirmou ainda nunca falado de trabalho com Manuel Godinho, nem com os seus funcionários Maribel Rodrigues, Namércio Cunha, João Godinho ou Hugo Godinho, co-arguidos neste processo.
Durante a mesma sessão, foi ainda ouvido um funcionário da Refer que, segundo a acusação, terá impedido Manuel Godinho de pôr em prática um esquema para a retirada de resíduos sem a necessária pesagem e a adulteração do peso dos resíduos recolhidos na Estação do Livramento, no Algarve, em 2009.
Mário Mendes, que fiscalizou os referidos trabalhos, disse, no entanto, não se ter apercebido de nada.
«Não foi feita nenhuma tentativa de facilitar nada. Decorreu tudo normalmente», declarou.

Lusa/SOL
 

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