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Um casal lucrou mais de 218 mil euros a fornecer cartões telefónicos a uma rede de burlas internacional dedicada ao esquema "Olá pai, Olá mãe". Chegavam a oferecer dinheiro através de uma identidade falsa no Facebook para usar dados de quem quisesse ficar com cartões.
O casal e um terceiro cúmplice começam a ser julgados dia 15 de abril, em Matosinhos. Um dos arguidos está em prisão preventiva desde o final de 2024. Segundo a acusação do Ministério Público da Maia, citada pela Procuradoria Regional do Porto, o casal tinha como tarefa comprar cartões para telemóveis, ativando-os de forma massiva em modems GSM, acessíveis aos outros membros do grupo e através dos quais conseguiam ocultar a origem das comunicações.
Para conseguirem comprar cartões, além de adquirirem o máximo que podiam diretamente às operadoras, os arguidos publicavam anúncios no Facebook, através de um perfil falso de nome Sofia Guimarães. Diziam que tinham cartões para distribuir e ofereciam entre um euro e 50 cêntimos a quem quisesse ficar com eles. Depois, usavam os dados dos interessados para os seus cartões.
Quando foram detidos, em 2024, tinham na sua posse mais de 12 mil cartões telefónicos. A acusação estima que o casal terá lucrado pelo menos 218 mil euros. A rede, a que pertenciam desde 2022, pagava-lhes em criptomoedas que depois vendiam e depositavam em contas bancárias de pessoas próximas.
Pelo menos em duas situações terá sido casal a enviar mensagens, mas, em regra, eram os outros elementos da rede que criavam as contas de WhatApp e enviavam as mensagens fraudulentas de "Olá pai, Olá mãe". O terceiro arguido tinha como principal função disponibilizar entidades, referências e contas bancárias para onde as vítimas faziam pagamentos/transferências. Por este serviço, em apenas dois meses, terá recebido cerca de 12.500 euros.
O casal responde por seis crimes de burla qualificada (dois na forma tentada), dois crimes de falsidade informática, um crime de associação criminosa, e um crime de branqueamento. O terceiro arguido foi acusado de um crime de burla qualificada, outro de crime de associação criminosa e outro crime de branqueamento.
Seguindo as regras do esquema "Olá pai, Olá mãe", os burlões enviavam mensagens em massa através da aplicação WhatsApp fingindo ser filhos dos destinatários. Explicavam que tinham perdido o telemóvel e precisava da ajuda dos progenitores para fazer um pagamento urgente. Indicavam então referência multibanco para fazerem transferências que guardavam para si. O dinheiro era depois circulado por várias contas para dificultar o seu rastreamento.
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