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Governo moçambicano cria centro de prevenção e combate ao terrorismo
Pelo menos 349 pessoas morreram em ataques de grupos extremistas islâmicos no norte de Moçambique em 2024, um aumento de 36% face ao ano anterior.
O novo Centro Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento (CNPCTEV), criado pelo Governo, vai assumir a coordenação da estratégia de combate a estes crimes, conforme decreto a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso.
Através do decreto de 24 de março, o Conselho de Ministros aprovou a criação do CNPCTEV, justificando-o com a "necessidade de, no âmbito da execução da Política de Defesa e Segurança, harmonizar os mecanismos de prevenção e combate ao terrorismo extremismo violento e adequar a abordagem nacional às boas práticas internacionais" neste domínio.
Estabelece que o novo organismo terá sede na cidade de Maputo, "podendo ser implantado noutro local do território nacional, onde se justifique", sendo tutelada pelo ministro da Defesa Nacional e iniciando a atividade com um quadro de 34 trabalhadores, incluindo 12 analistas e seis pesquisadores.
São atribuições do CNPCTEV "promover, coordenar e superintender a Estratégia Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento", bem como "efetuar e divulgar estudos e pesquisas aplicadas sobre o terrorismo e extremismo violento e matérias conexas" e realizar o "diagnóstico e análise de risco sobre terrorismo e extremismo violento", refere o decreto.
Pelo menos 349 pessoas morreram em ataques de grupos extremistas islâmicos no norte de Moçambique em 2024, um aumento de 36% face ao ano anterior, segundo estudo divulgado no final de fevereiro último pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS).
De acordo com aquela instituição académica do Departamento de Defesa do Governo norte-americano, que estuda assuntos relacionados com a segurança em África, esta "recuperação dos níveis de violência" em Moçambique "reflete a estratégia" do grupo ASWJ -- afiliado do Estado Islâmico e que opera na província de Cabo Delgado - de "alargar o conflito, deslocando-se para o interior e para áreas mais rurais".
"Isto está a causar uma extensão excessiva das forças moçambicanas e ruandesas, que operam sem forças da SADC [comunidade de países da África austral] desde meados de 2024. As queixas subjacentes na região de Cabo Delgado continuam por resolver, alimentando o recrutamento de militantes islamistas, especialmente entre os jovens", alerta-se no estudo.
O ACSS acrescenta que se verificou "um crescimento acentuado da violência contra civis" na região norte de Moçambique no ano passado.
"Os 122 incidentes contra civis representaram 52% do total de 236 eventos violentos em 2024", refere a instituição no estudo, que aborda a ameaça terrorista que afeta sobretudo a província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.
Reconhece igualmente que a atividade destes grupos islamistas que operam em Moçambique "sempre se caracterizou pela sua elevada taxa de violência contra civis" e que os 31% do total de mortes de 2024 resultantes da violência contra civis "são superiores aos de qualquer outro grupo de militantes islamistas em África".
O ACSS aponta ainda que cerca de 578 mil pessoas que foram deslocadas pela violência destes grupos armados "ainda não regressaram às suas casas".
Desde outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.
O Governo moçambicano confirmou em 25 de fevereiro a ocorrência de alguns "ataques esporádicos" de grupos rebeldes na província de Cabo Delgado, assegurando que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) continuam no terreno para garantir segurança às populações.
O estudo da ACSS estima ainda que se registaram em 2024 pelo menos 18.900 mortes "ligadas à violência militante islamista em África".
Correio da Manhã

Pelo menos 349 pessoas morreram em ataques de grupos extremistas islâmicos no norte de Moçambique em 2024, um aumento de 36% face ao ano anterior.
O novo Centro Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento (CNPCTEV), criado pelo Governo, vai assumir a coordenação da estratégia de combate a estes crimes, conforme decreto a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso.
Através do decreto de 24 de março, o Conselho de Ministros aprovou a criação do CNPCTEV, justificando-o com a "necessidade de, no âmbito da execução da Política de Defesa e Segurança, harmonizar os mecanismos de prevenção e combate ao terrorismo extremismo violento e adequar a abordagem nacional às boas práticas internacionais" neste domínio.
Estabelece que o novo organismo terá sede na cidade de Maputo, "podendo ser implantado noutro local do território nacional, onde se justifique", sendo tutelada pelo ministro da Defesa Nacional e iniciando a atividade com um quadro de 34 trabalhadores, incluindo 12 analistas e seis pesquisadores.
São atribuições do CNPCTEV "promover, coordenar e superintender a Estratégia Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento", bem como "efetuar e divulgar estudos e pesquisas aplicadas sobre o terrorismo e extremismo violento e matérias conexas" e realizar o "diagnóstico e análise de risco sobre terrorismo e extremismo violento", refere o decreto.
Pelo menos 349 pessoas morreram em ataques de grupos extremistas islâmicos no norte de Moçambique em 2024, um aumento de 36% face ao ano anterior, segundo estudo divulgado no final de fevereiro último pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS).
De acordo com aquela instituição académica do Departamento de Defesa do Governo norte-americano, que estuda assuntos relacionados com a segurança em África, esta "recuperação dos níveis de violência" em Moçambique "reflete a estratégia" do grupo ASWJ -- afiliado do Estado Islâmico e que opera na província de Cabo Delgado - de "alargar o conflito, deslocando-se para o interior e para áreas mais rurais".
"Isto está a causar uma extensão excessiva das forças moçambicanas e ruandesas, que operam sem forças da SADC [comunidade de países da África austral] desde meados de 2024. As queixas subjacentes na região de Cabo Delgado continuam por resolver, alimentando o recrutamento de militantes islamistas, especialmente entre os jovens", alerta-se no estudo.
O ACSS acrescenta que se verificou "um crescimento acentuado da violência contra civis" na região norte de Moçambique no ano passado.
"Os 122 incidentes contra civis representaram 52% do total de 236 eventos violentos em 2024", refere a instituição no estudo, que aborda a ameaça terrorista que afeta sobretudo a província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.
Reconhece igualmente que a atividade destes grupos islamistas que operam em Moçambique "sempre se caracterizou pela sua elevada taxa de violência contra civis" e que os 31% do total de mortes de 2024 resultantes da violência contra civis "são superiores aos de qualquer outro grupo de militantes islamistas em África".
O ACSS aponta ainda que cerca de 578 mil pessoas que foram deslocadas pela violência destes grupos armados "ainda não regressaram às suas casas".
Desde outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.
O Governo moçambicano confirmou em 25 de fevereiro a ocorrência de alguns "ataques esporádicos" de grupos rebeldes na província de Cabo Delgado, assegurando que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) continuam no terreno para garantir segurança às populações.
O estudo da ACSS estima ainda que se registaram em 2024 pelo menos 18.900 mortes "ligadas à violência militante islamista em África".
Correio da Manhã