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Notícias Morreu Fernando Mamede, grande símbolo do atletismo português

Roter.Teufel

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Morreu Fernando Mamede, grande símbolo do atletismo português

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Fernando Mamede, um dos maiores nomes da história do atletismo português, morreu esta terça-feira, devido a complicações do foro cardíaco. Natural de Beja, onde nasceu a 11 de novembro de 1951, foi recordista mundial dos 10.000 metros, ídolo de uma geração e protagonista de uma carreira marcada tanto pela excelência desportiva como pela permanente luta interior. Tinha 74 anos.

Filho de Custódia, empregada doméstica, e de Joaquim, alfaiate, Mamede enfrentou graves problemas de saúde ainda na infância, depois de uma doença pulmonar que o deixou entre a vida e a morte aos três anos. Frágil e magro, cresceu nas ruas tranquilas de Beja, onde cedo se destacou pela paixão pelas corridas, apesar da proteção apertada da mãe, motivada pelos receios em torno da sua saúde.

Foi na Escola Industrial e Comercial de Beja que o talento começou a ganhar forma. As corridas pelas calçadas da cidade tornaram-se rotina, tal como as primeiras vitórias em provas regionais, com destaque para o triunfo no campeonato distrital de corta-mato.

Apesar de também ter passado pelo futebol, no Despertar Sporting Clube, o percurso definitivo conduziu-o ao atletismo, entrando no Sporting em 1968 pela mão de Moniz Pereira, figura central na sua carreira e a quem sempre se referiu como um verdadeiro pai desportivo. Ao serviço dos leões, Mamede construiu uma relação de enorme proximidade com o treinador e alcançou o auge competitivo.


O ponto mais alto surgiu a 2 de julho de 1984, em Estocolmo, na Suécia, quando venceu os 10.000 metros com o tempo de 27.13,81, estabelecendo um recorde mundial numa corrida memorável em que bateu, entre outros, o seu companheiro de clube Carlos Lopes. Ao longo da carreira somou um recorde mundial, três europeus e 27 recordes nacionais em várias distâncias, dos 1.000 metros à milha.

Apesar da dimensão do palmarés, ficou sempre associada à sua história a ausência de uma medalha olímpica. Participou em três edições dos Jogos — Munique 1972, Montreal 1976 e Los Angeles 1984 —, mas nunca conseguiu corresponder às expectativas, sobretudo em Los Angeles, onde chegou como grande favorito e acabou por desistir, num episódio frequentemente associado à forte pressão competitiva.

Após o final da carreira, regressou com regularidade ao Alentejo e às raízes bejenses. Longe da exigência da alta competição, reencontrou o prazer da vida simples, da gastronomia regional e das amizades antigas, assumindo um regresso sereno a um território onde o tempo corre mais devagar.

Nos últimos anos, Fernando Mamede foi também assolado por períodos de depressão, situação que ajudou a reforçar a leitura mais humana da sua trajetória e da constante tensão entre talento extraordinário e vulnerabilidade pessoal, assumida publicamente pelo próprio em diferentes momentos.

A morte de Fernando Mamede deixa o atletismo português mais pobre, mas a sua história permanece inscrita entre as grandes do desporto nacional. À família enlutada, A BOLA endereça as mais sentidas condolências.

A Bola
 
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