Portal Chamar Táxi

Notícias Mulher escravizada em Inglaterra quebra silêncio: "Vivi 25 anos com medo"

Lordelo

Sub-Administrador
Team GForum
Entrou
Ago 4, 2007
Mensagens
51,820
Gostos Recebidos
1,258
naom_69b2f8a8905d8.webp


A mulher que foi escravizada durante 25 anos em Tewkesbury, no condado inglês de Gloucestershire, frisou que nada lhe poderá devolver o tempo de vida que perdeu em cativeiro, no dia em que a sua agressora foi condenada a 13 anos de prisão, esta quinta-feira.


"Durante 25 anos, vivi com medo, sob controlo e abuso. Era tratada como se a minha vida, a minha liberdade e a minha voz não tivessem importância. O trauma e os pesadelos são algo que ainda carrego comigo todos os dias", lia-se no comunicado citado pelos meios de comunicação britânicos.


A mulher, que foi identificada como K., assinalou que está a "reconstruir lentamente a vida" que lhe foi roubada, graças à família que a acolheu, depois de ter sido resgatada, a 15 de março de 2021.


"Agora, estou a viver com uma família maravilhosa que me mostra bondade, paciência e apoio. O amor deles está a ajudar-me a reconstruir lentamente a vida que me foi roubada e a começar a sentir-me segura novamente. Nada me pode devolver os 25 anos que perdi", lamentou.


Um dos membros da família adotiva de K. sublinhou ainda que este caso "nunca deveria ter acontecido", lançando que "os serviços sociais deveriam estar mais alerta", para que "mais ninguém passe pelo que ela passou".


A acusação argumentou, inclusive, que "os serviços sociais não fizeram nada", após K ter desaparecido. Uma vizinha vincou também que costumava ver a vítima a bater à janela e, apesar de ter contactado os serviços sociais, "nada foi feito". "Falharam-na", disse.


Ao longo de um quarto de século, Amanda (ou Mandy) Wixon, atualmente com 56 anos, manteve a vítima em cativeiro, forçando-a a limpar a sua residência. A mulher, que tinha dificuldades de aprendizagem, vivia num quarto que se assemelhava a "uma cela prisional", sem condições sanitárias, e era "constantemente" agredida. Além disso, sobrevivia à base de restos de comida.





As autoridades detalharam que a agressora esguichava detergente líquido pela garganta da vítima, atirava-lhe lixívia à cara e rapava-lhe o cabelo contra a sua vontade. Aliás, quando foi encontrada pela polícia de Gloucestershire, K. tinha cicatrizes nos lábios e no rosto, assim como calos nos pés e nos tornozelos, por estar constantemente de joelhos e de mãos no chão, a limpar.


K. nasceu numa família problemática e, em 1996, quando tinha cerca de 16 anos, foi entregue a Wixon. Já na casa dos 40 anos, foi resgatada pela polícia, em 2021, depois de um dos 10 filhos da agressora ter denunciado estar preocupado com o seu bem-estar.


A mulher era "constantemente" espancada e alvo de agressões com o cabo de uma vassoura, que lhe arrancou os dentes. Além disso, não podia sair de casa e via-se obrigada a tomar banho à noite, sem que Wixon soubesse.


"Não quero estar aqui. Não me sinto segura. A Mandy bate-me constantemente. Não gosto disso", terá dito às autoridades.


Agora, K. frequenta a universidade e até já passou férias no estrangeiro.


Wixon, que também se apoderou de mais de 100 mil libras (cerca de 115.846 euros) dos subsídios da vítima, foi hoje condenada a 13 anos de prisão, sendo que deverá cumprir dois terços da pena.

IN:NM
 
Topo