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Odisseias

Novas substâncias psicoactivas aumentam, jovens são cobaias

Feraida

GF Ouro
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Leonel de Castro


Em 2015, foram detectadas pela primeira vez 98 novas substâncias (101 em 2014).

A lista de novas substâncias notificadas foi dominada pelos canabinóides sintéticos


As novas substâncias psicoactivas continuam a aumentar no mercado europeu, revela um relatório, que alerta para a possibilidade de os jovens estarem a ser usados como cobaias de drogas, cujos riscos para a saúde são desconhecidos.

Segundo o "O Relatório Europeu sobre Drogas 2016: Tendências e Evoluções", do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (EMCDDA), hoje apresentado, o número, o tipo e a disponibilidade de novas substancias psicoativas (NSP) no mercado europeu continuam a aumentar, com mais de 560 monitorizadas actualmente pela agência.


Desde 2014, o EMCDDA emitiu 34 alertas de saúde pública aos Estados-Membros relacionados unicamente com o consumo de novas substâncias psicoactivas.


As autoridades consideram que responder com rapidez e eficácia à venda de NSP, algumas das quais altamente tóxicas, constitui um "grande desafio".


"Os jovens consumidores podem estar a ser involuntariamente usados como cobaias de substâncias cujos potenciais riscos para a saúde são praticamente desconhecidos", alerta o relatório.


Em 2015, foram notificadas pela primeira vez 98 novas substâncias (101 em 2014), sendo que, uma vez mais, a lista de novas substâncias notificadas foi dominada pelos canabinóides sintéticos e pelas catinonas sintéticas (24 e 26 notificados, respectivamente).


Em conjunto, estes dois grupos representam quase 80 % das 50 mil apreensões de NSP em 2014 e mais de 60% das quatro toneladas apreendidas, refere.


A este propósito, o documento destaca que a cannabis é a droga com maior número de apreensões, correspondendo a mais de três quartos das apreensões efectuadas na Europa (78%).


A quantidade de resina de cannabis apreendida na União Europeia é ainda muito superior à de cannabis herbácea (574 toneladas contra 139 toneladas) e os dados mais recentes mostram que a quantidade de resina apreendida aumentou.


"Os canabinóides sintéticos, vendidos como substitutos «legais» da cannabis, podem ser altamente tóxicos, tendo sido divulgadas intoxicações em massa", alerta.


Em Fevereiro deste ano, o EMCDDA emitiu um alerta sobre a MDMB-CHMICA, um canabinóide sintético associado a 13 intoxicações fatais e a 23 não fatais na Europa desde 2014.


As catinonas sintéticas são vendidas como substitutos «legais» de estimulantes como a anfetamina, a MDMA e a cocaína, sendo que a catinona sintética alfa-PVP (5), um potente estimulante, tem sido associada a cerca de 200 intoxicações agudas e a mais de 100 intoxicações fatais desde 2011.


O relatório descreve a forma como os produtores de NSP podem estar agora a direccionar-se para consumidores de droga mais crónicos e problemáticos.


Neste domínio, as preocupações aumentam com o número de novos opiáceos sintéticos detectados, já que desde 2009, foram detectados 19 novos opiáceos, incluindo 11 fentanis, substancias "extremamente potentes" que podem ser vendidas como heroína a consumidores pouco informados, constituindo um "elevado risco de overdose".


Em 2015, 32 mortes na Europa foram associadas ao opiáceo sintético acetilfentanil.


O relatório alerta ainda para o aumento da procura de tratamento ligado ao consumo de anfetaminas, tendo-se registado um aumento de 50% do número de utentes que iniciaram tratamento pela primeira vez com as anfetaminas como droga principal.


Outra preocupação tem que ver com o consumo injectável de estimulantes: dos novos utentes que iniciaram o tratamento em 2014 por consumo de anfetaminas como droga principal, cerca de metade (47%) indicaram a via injectável como principal via de administração.


ários países referiram igualmente o consumo injectável de metanfetamina e catinonas com outras drogas entre pequenos grupos de homens que têm relações sexuais com outros homens, uma prática designada por 'slamming', associada a níveis elevados de comportamentos sexuais de risco.

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