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Notícias Quatro trabalhadores humanitários mortos no Sudão do Sul no início do ano

Lordelo

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O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla inglesa) apresentou estes dados num relatório em que denuncia a perseguição dos trabalhadores humanitários no país em janeiro e fevereiro de 2026, com 52 incidentes que envolveram o recurso a violência, 11 relacionados com a restrição de movimentos e seis casos de "hostilidade ativa" que afetaram diretamente as operações.


Neste período, os ataques aéreos e terrestres, decorrentes do conflito armado entre o Governo e a oposição no Sudão do Sul, obrigaram à retirada de sete trabalhadores humanitários, conduziram à pilhagem de quatro instalações e ao roubo de 10 veículos, juntamente com equipamentos e suprimentos.


A organização recordou que pelo menos 263 mil pessoas "foram prejudicadas pelas restrições na entrega de ajuda", especialmente nos estados de Jonglei (leste), Alto Nilo (nordeste) e Unity (norte).


"O ambiente operacional continua a ser muito limitado devido às hostilidades em curso, às recusas de acesso e à violência contra os trabalhadores humanitários", referiu o OCHA no relatório.


O Sudão do Sul é vítima de uma grave escalada da violência entre o Governo e a oposição armada, iniciada em março de 2025 e próxima de uma guerra civil desde o passado mês de dezembro, após a tomada de algumas localidades pela oposição.


Como salientou o OCHA, este aumento das tensões pode ser observado no aumento de 188% nos incidentes notificados em fevereiro de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.


As infraestruturas críticas também estão a ser afetadas pela nova escalada de violência iniciada em dezembro passado, como o hospital dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Lankien, no estado oriental de Jonglei, que prestava assistência a cerca de 250 mil pessoas e que, em 04 de fevereiro, sofreu danos significativos devido a um ataque aéreo pelo qual os MSF responsabilizaram o exército sul-sudanês.


Além disso, o OCHA criticou a imposição, por parte do Governo do Sudão do Sul, de novos requisitos de autorização às Organizações Não-Governamentais (ONG), com um custo de 50 dólares (43,56 euros, ao câmbio atual) por pedido e múltiplos casos de recusa de voos para zonas estratégicas para a assistência humanitária, "o que limitou consideravelmente o acesso às populações vulneráveis".


A organização denunciou ainda que estão a ocorrer "retenções ou suspensões de fornecimentos médicos, água, saneamento e nutrição" em vários pontos do país, o que deixa milhares de pessoas numa situação de vulnerabilidade face ao "risco crescente de cólera".


Este país africano, que é o Estado mais jovem do mundo, está a ser assolado pela guerra, pela pobreza e pela corrupção em grande escala desde a sua independência, em 2011, sendo que a violência se intensificou nas últimas semanas entre o exército sul-sudanês e as milícias que apoiam o seu rival de longa data, Riek Machar, que se encontra em prisão domiciliária.

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