Portal Chamar Táxi

Quer comprar um submarino

kok@s

GForum VIP
Entrou
Dez 9, 2019
Mensagens
10,737
Gostos Recebidos
460
Neste mundo atual, o "comprar um submarino" já não parece tão estranho. Contudo, falamos na renovação militar em Espanha, com destaque à venda de um dos seus submarinos mais emblemáticos por um valor surpreendentemente baixo.












Um submarino com quase 40 anos de serviço


A Armada Espanhola colocou à venda, a meio de 2025, o submarino S-74 Tramontana, um dos últimos exemplares da classe S-70. Durante quase quatro décadas, este submarino foi uma peça central da capacidade submarina do país.


Construído com base nos modelos franceses Agosta, saiu dos estaleiros da antiga Navantia em 1984 e entrou ao serviço em 1985. Com cerca de 68 metros de comprimento, capacidade para 60 tripulantes e equipado com quatro tubos de torpedos, o Tramontana contava com um sistema de propulsão composto por dois motores diesel de 3.600 CV e um motor elétrico de aproximadamente 3.500 kW. Conseguia permanecer submerso até 45 dias.


Após participar em diversos exercícios e missões internacionais, foi abatido ao serviço em fevereiro de 2024, após 38 anos de operação. Ficou então imobilizado no Arsenal Militar de Cartagena, à espera de um destino final.





Vendido para sucata por um valor simbólico


A venda foi oficializada através de uma resolução publicada no boletim oficial espanhol. O preço base foi fixado em 138.468,53 euros, sendo exigida uma caução inicial de 27.693,70 euros aos interessados.


Importa sublinhar que este tipo de venda não permite a aquisição do equipamento para uso militar ou privado. O objetivo é exclusivamente o desmantelamento e reaproveitamento de materiais.


Apesar do valor parecer elevado à primeira vista, está longe de refletir a importância histórica e operacional do submarino. Na prática, trata-se de um preço alinhado com o valor dos metais e componentes recuperáveis.


Um destino comum para equipamentos militares


O caso do Tramontana não é único. Outros navios históricos da Armada Espanhola tiveram destinos semelhantes. Um dos exemplos mais conhecidos é o porta-aviões Príncipe de Asturias, que após várias tentativas de venda sem sucesso acabou por ser desmantelado na Turquia.


O próprio sistema de leilões prevê cenários de falta de interessados, com novas tentativas a cada sete dias e reduções de 15% no preço base.


Outro submarino da mesma classe, o S-73 Mistral, já tinha sido vendido em 2021 por cerca de 150 mil euros a uma empresa de desmantelamento, que recuperou os metais valiosos do seu interior.





Entre a nostalgia e o pragmatismo


Para muitos, o fim de um submarino como o Tramontana representa uma perda simbólica. Durante anos, foi um elemento de defesa no Mediterrâneo e participou em missões da NATO, incluindo operações sensíveis como a vigilância do ilhéu Perejil.


No entanto, do ponto de vista estratégico, a sua manutenção deixava de fazer sentido. Com cerca de 40 anos, o submarino estava tecnologicamente ultrapassado e implicava custos elevados de operação.


A alternativa passa por investir em novas gerações, como os submarinos da classe S-80, que representam um salto significativo em capacidades e tecnologia. O Tramontana manteve-se em serviço até à entrada do S-81 Isaac Peral, o primeiro desta nova geração.



O S-81 e o S-71, duas gerações de submarinos separadas por 40 anos de diferença, frente a frente

O ciclo inevitável do armamento


Atualmente, apenas o S-71 Galerna continua ativo entre os submarinos mais antigos da Armada Espanhola. No entanto, o seu destino deverá ser semelhante ao dos restantes à medida que novas unidades forem sendo integradas.


Este processo ilustra o ciclo natural do armamento militar. Os equipamentos podem ter a sua vida útil prolongada, mas chega sempre o momento em que deixam de ser viáveis. Nessa fase, a venda para desmantelamento torna-se a solução mais racional, permitindo recuperar algum valor de ativos que, de outra forma, ficariam obsoletos.


pp
 
Topo