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Um suposto terapeuta, em Sussex, no Reino Unido, foi condenado a 11 anos de prisão depois de ter sido provado em tribunal que convencia as pacientes a praticar atos de cariz sexual consigo, alegando que só assim conseguiria curar os seus traumas do parto.
O caso só chegou a tribunal três anos depois de ter sido feita a denúncia, em 2021. Foi nessa altura que a vítima, que nunca é identificada, reportou à polícia que um mês antes Gerald Peck lhe tinha sido recomendado por um amigo. A mulher sofria de depressão e ansiedade.
Tratando-se de uma recomendação, simplesmente "assumiu que ele estava registado em algum lado". Foi só mais tarde que soube que Peck não só não tinha licença para exercer, como tinha sido mesmo expulso da ordem nos anos 80 (e pelas mesmas razões): "Foi muito fácil para ele mentir sobre isto".
Desde a primeira consulta, Peck aconselhou a vítima a fazer várias sessões por semana, com algumas a durarem várias horas. A suposta terapia envolvia remover as roupas, sob o pretexto de que o contato de pele com pele "ajuda a acalmar o sistema nervoso", numa fase inicial. Depois, Peck começou a dizer que o 'bebé interior' da vítima "precisava de chupar", o que se traduziu em beijos.
As sessões continuaram a progredir, envolvendo cada vez mais momentos de nudez e de toques íntimos. Em diversas ocasiões, Peck penetrou a vítima com os dedos para "curar o trauma do parto" e numa outra ocasião efetuou sexo oral, tentando depois convencê-la a ter relações sexuais com ele como uma "forma de libertação de energia".
Foi em fevereiro de 2021 que a vítima primeiro denunciou o caso às autoridades. Na altura, Peck chegou a ser detido, mas a polícia acabou por arquivar o processo após dois meses, depois de receber uma nota do Ministério Público (MP), onde era detalhado que havia falta de provas para uma acusação.
Em junho, uma advogada do Centro para a Justiça das Mulheres pediu para o caso ser revisto, apontando que as autoridades não tinham considerado o facto de a vítima e Peck "não terem uma relação normal, mas sim uma relação de terapeuta ou cuidador e cliente ou paciente".
Em setembro, o caso acabou por ser reaberto, sendo referenciado ao Ministério Público no mês seguinte.
"Não havia qualquer reconhecimento do desequilíbrio de poder inerente numa relação de terapia", confessou a vítima ao The Guardian. "O primeiro advogado do MP que olhou para isto, eu acho que ficou do género: 'Ó, são dois adultos que consentiram em fazer uma terapia alternativa'", recordou.
Em janeiro de 2024 continuava sem haver qualquer progresso real no caso e a mulher decidiu submeter uma queixa formal à polícia. Em agosto, em seu nome, o centro enviou um alerta legal de que os atrasos contínuos na Justiça constituíam uma violação de direitos humanos. Por fim, em outubro, Peck foi, finalmente, constituído arguido.
"Andaram a passar a batata quente durante anos e anos… com montes de detetives e advogados diferentes a pegarem no caso, mas sem saberem muito bem o que fazer com ele", contou a vítima. E o pior é que "ele parecia mesmo acreditar que se ia safar".
Ao longo dos anos, a mulher afirmou que a única coisa que a fez continuar a pressionar para as autoridades prosseguirem com o julgamento foi a esperança de que, assim, Peck conseguisse ser travado. A vítima queria impedir o alegado terapeuta de continuar a "manipular e a abusar de outras mulheres" que, como ela, também estariam em situações de vulnerabilidade e confiariam no homem.
"Eu vivi os últimos cinco anos constantemente preocupada que outras mulheres ainda estivessem a ser abusadas por ele", contou.
No passado dia 2 de fevereiro, a mulher, por fim, atingir o objetivo: Peck foi condenado. E esta quinta-feira, o juiz Mooney sentenciou-o a 11 anos de prisão.
"A jovem mulher que foi ter consigo acreditou que a poderia ajudar numa altura particularmente difícil na vida dela. Ela tinha todas as razões para acreditar que poderia confiar em si. Toda a informação que você lhe forneceu levou-a a acreditar que era um praticante qualificado de bioenergia. Isso era uma mentira", considerou o juiz antes de proferir a sentença.
E acrescentou: "Foi banido de praticar pelo Instituto de Bioenergias porque no fim dos anos 80 usou a sua posição para abusar sexualmente de mulheres, sob o disfarce de terapia. Desde essa data que não é nada mais do que um charlatão e uma fraude".
Para além dos 11 anos na cadeia, Peck terá ainda de pagar 9.730 libras (cerca de 11.200 euros) em danos para cobrir os custos de terapia que a vítima teve de fazer depois dos abusos.
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