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O chef do Noma, eleito cinco vezes o melhor restaurante do mundo, demitiu-se na quarta-feira, 11 de março, pouco depois de terem surgido relatos de que terá agredido os seus funcionários.
As denúncias começaram a surgir nas redes sociais e depressa chegaram às páginas do jornal The New York Times, que diz ter falado com cerca de 35 ex-funcionários do restaurante em Copenhaga, na Dinamarca (e empregados de René Redzepi). Esses mesmos trabalhadores contam que, entre 2009 e 2017, o chef esmurrou os funcionários na cara, picou-os com utensílios de cozinha e atirou-os contra paredes.
Num dos incidentes, numa noite em fevereiro de 2014, relatam que Redzepi ordenou que toda a equipa o seguisse até à rua (onde, note-se, nesta altura do ano a temperatura pode mesmo atingir graus negativos).
Lá fora, a equipa formou um círculo, deixando no meio apenas Redzepi e um outro chef de cozinha. Eram testemunhas silenciosas enquanto o dono do Noma repreendia o seu funcionário, à frente dos outros 40 cozinheiros. Tratava-se de uma humilhação pública - e não era a primeira.
A certa altura, Redzepi terá passado das palavras para a ação, esmurrando o estômago do chef e começado a gritar que ninguém iria regressar ao interior do restaurante até que o funcionário admitisse que gostava de realizar sexo oral a DJs.
O grupo permaneceu em silêncio e, eventualmente, o chef acabou por ceder à exigência. Depois, regressaram à cozinha - e ao trabalho.
"Ir trabalhar era como ir para a guerra", comentou Alessia, uma das cozinheiras nesse círculo, que agora trabalha num restaurante em Londres. "Tinhas de te forçar a ser forte, a não mostrar medo."
Uma outra chef de cozinha, que pediu anonimato, contou que em 2013, quando trabalhou no Noma, não conseguia parar de trabalhar tempo suficiente para comer e que no só primeiro ano de trabalho perdeu quase 20 quilos.
Relatou ainda que numa noite Redzepi a apanhou a usar o telemóvel (o que era estritamente proibido durante o serviço). A cozinheira tinha agarrado no dispositivo para baixar o volume da música na sala de jantar, após um cliente ter pedido, mas Redzepi não ouviu a explicação. Sem dizer uma palavra, deu-lhe um murro nas costelas com tanta força que a mulher caiu contra a extremidade de uma bancada de metal e acabou por se cortar na anca.
A chef contou que ficou no chão, a sangrar e em lágrimas e que foi pelo próprio pé que se levantou e foi até aos balneários. Quando, por fim, alguém foi ter com ela, foi apenas para lhe perguntar se ela estava apta para continuar o serviço.
Após a onda de indignação, gerada por estes relatos, Redzepi decidiu sair do cargo que ocupava no Noma, que co-fundou em 2003, e onde ajudou a redefinir as regras da alta cozinha. O chef chegou mesmo a ser considerado o mais "influente, provocativo e importante" em todo o mundo.
Nas redes sociais, Redzepi assumiu as histórias mais recentes que tinham vindo a público. "As últimas semanas trouxeram um foco a conversas importantes sobre o nosso restaurante, indústria e sobre a minha liderança no passado", começou por dizer.
"Eu trabalhei para me tornar um líder melhor e o Noma tem dado passos gigantes para transformar a sua cultura ao longo de muitos anos. Reconheço que estas mudanças não apagam o passado. Um pedido de desculpas não é suficiente; assumo total responsabilidade pelas minhas ações", continuou o chef, afirmando logo a seguir que se ia afastar do seu cargo no Noma.
IN:NM
