- Entrou
- Ago 4, 2007
- Mensagens
- 51,708
- Gostos Recebidos
- 1,256
Os crimes de burla relacionados com falsos acidentes de carro triplicaram em 2025 em relação a 2021, revelou a Polícia de Segurança Pública (PSP), esta terça-feira, 10 de março, num comunicado enviado ao Notícias ao Minuto.
Começa por explicar esta autoridade que "a burla por falso acidente é uma tipologia criminal que se carateriza por ser exercida de modo presencial, elegendo aos seus autores caraterísticas psicológicas e comportamentais específicas, tais como manipulação, falta de empatia e persuasão, características estas que lhes permitem agir com destreza para enganar e surpreender a boa fé da sua potencial vítima".
As vítimas, por sua vez, lembra a PSP na mesma nota, "são normalmente pessoas idosas, vulneráveis quer pela idade, doença ou fragilidade económica, e acabam por ser coagidas a entregar quantias monetárias com o recurso à intimidação e/ou ameaça física".
Já o modus operandi mais utilizado pelos suspeitos neste tipo de burlas consiste numa "abordagem à vítima quando esta efetua algum tipo de manobra com a sua viatura (na maioria das vezes marcha atrás), nomeadamente em estacionamentos nas grandes superfícies comerciais, afirmando que a vítima embateu na sua viatura, solicitando uma compensação imediata (quantia monetária), utilizando manipulação, pressão psicológica ou mesmo intimidação".
Esta abordagem pode ser efetuada de imediato - quando a vítima se encontra parada dentro da viatura - ou em circunstâncias em que a vítima já iniciou a marcha e é seguida pelo suspeito que se faz transportar numa outra viatura, levando a vítima, através de sinais de luminosos, sonoros ou apenas por gestos, a imobilizar a viatura de forma a perceber o que se passa.
Por vezes, realça a PSP "surgem situações em que não há envolvimento direto de viaturas e, ao invés, o suspeito alega um atropelamento, no qual os danos alegadamente provocados foram físicos ou materiais (por exemplo, envolvendo os óculos ou o telemóvel)".
Depois desta primeira interação, o burlão solicita "ser ressarcido dos danos causados (físicos ou materiais), pressionando a vítima à entrega de dinheiro no momento, sem necessidade de participação do acidente e sem a presença da autoridade policial, pois desta forma evitam acionar o seguro e tratam o assunto com maior celeridade".
"Recentemente, apurou-se também a existência de algumas situações em que o autor apresenta à vítima um TPA (Terminal de Pagamento Automático), insistindo no pagamento imediato", relata a mesma força de segurança.
Em qualquer uma das situações mencionadas, para credibilizar todo o enredo, o burlão apresenta à vítima dor física, no caso da simulação de atropelamento, ou o dano no objeto em questão (quebra ou risco, seja na viatura ou no telemóvel), que normalmente já existia antes do alegado embate, facto que a vítima desconhece.
Quando se trata de danos em viatura, ainda junto da vítima, o suspeito simula um contacto telefónico de voz com uma oficina de reparação automóvel ou com uma operadora de comunicações, transmitindo o dano e fingindo receber um valor de orçamento, que, por sua vez, transmite à vítima.
853 denúncias
Desde o dia 1 de janeiro de 2021 a 31 de dezembro de 2025, a PSP registou um total de 853 denúncias deste crime.
Nos últimos anos temos assistido a um aumento do número de ocorrências participadas pelo crime de burla por falso acidente, com um pico mais acentuado no passado ano de 2025.
"Estes valores permitem-nos ainda observar que o número de denúncias em 2025 superou em mais do triplo as denúncias registadas em 2021", anuncia a PSP.
No que concerne à idade das vítimas, de acordo com a análise das autoridades, "foi apurado que estas têm maioritariamente idades compreendidas entre os 70 e os 79 anos (40%), seguindo-se as vítimas com mais de 80 anos (39%), e que 65% são do sexo masculino e 35% são do sexo feminino".
Relativamente às circunstâncias de tempo e lugar, o período preferencial para o cometimento deste tipo de crime acontece entre as 10h e as 16h, de segunda a domingo, sendo locais privilegiados os parques de estacionamento de superfícies comerciais e vias com pouco fluxo de trânsito, normalmente não abrangendo sistema de videovigilância.
Além da aposta na repressão através dos mecanismos de investigação criminal, a PSP está a incrementar "esforços de prevenção incidindo, essencialmente, na sensibilização e pedagogia dos cidadãos para que adotem comportamentos de segurança, evitando assim serem vítimas de um esquema de burla".
Neste sentido, as autoridades aconselham:
- Não efetuar qualquer pagamento em numerário por situação que tem a certeza que não cometeu;
- Desconfiar de abordagens em que o autor assume o tipo de enredo acima descrito e pressiona insistentemente no pagamento em numerário de imediato;
- Desconfiar de abordagens em que o autor não quer acionar o seguro, nem contactar a
- Polícia, apenas pretendendo o pagamento em dinheiro, oferecendo-se para o acompanhar a caixa ATM;
- Não ceder o seu cartão bancário a desconhecidos, nem efetuar qualquer pagamento em TPA que lhe seja apresentado por desconhecidos;
- Em qualquer situação que envolva o método descrito ou outras semelhantes, contactar a PSP e solicitar a participação de acidente;
- Não efetuar qualquer pagamento sem antes contactar algum familiar ou amigo para expor a situação, pois assim poderá ser elucidado da burla e ao mesmo tempo poderá criar algum receio no autor do ilícito;
- Quando verificar que está a ser seguido por outra viatura, que efetua sinais para encostar a sua viatura, preferencialmente não pare. Porém, se optar por parar, não o faça em local ermo ou com pouco fluxo rodoviário, dirigindo-se para um local que lhe seja familiar, onde tem conhecimento da existência de densidade populacional;
- Se estiver perante uma situação semelhante, se possível, tente reter o máximo de informação, como:Características físicas do suspeito (idade, altura, indumentária, modo de falar, sotaque, sinais, tatuagens ou outras);
- Nome por que se apresenta e contacto telefónico que possa fornecer;
- Características da viatura utilizada (cor, marca, modelo, matrícula);
- Características dos seus acompanhantes.
"Esteja sempre alerta e seja cauteloso nas suas decisões! Solicite informações e partilhe dúvidas que possam surgir com pessoas da sua confiança, pois à medida que mais pessoas tomam conhecimento das burlas, menos bem-sucedidos se tornarão os burlões!", realça esta polícia.
A PSP apela ainda à "denúncia de todos os crimes de que se tenha conhecimento, quer na condição de vítima ou testemunha, e relembra que quanto mais célere for esta denúncia, mais depressa serão efetuadas diligências para se chegar à identificação do(s) autor(es) do(s) crime(s)".
IN:NM
