- Entrou
- Out 5, 2021
- Mensagens
- 54,426
- Gostos Recebidos
- 1,527
China pode obrigar operadoras dos EUA a vender casinos em Macau
"Penso que depois de os EUA ameaçarem retirar as ações chinesas das bolsas, 'está tudo em cima da mesa'" disse Ben Lee.
Um analista do jogo disse à Lusa que a China pode obrigar as operadoras norte-americanas a vender os casinos em Macau, em retaliação, caso Washington force a venda do TikTok e dos portos no Canal do Panamá.
O fundador da consultora de jogo IGamix, Ben Lee, expressou receio sobre o impacto do "atual atrito" entre a China e os Estados Unidos devido à plataforma de vídeos TikTok e aos portos operados pelo grupo de Hong Kong CK Hutchison no Panamá.
"Se a China adotar a mesma estratégia de retaliação que tem vindo a empregar", a possibilidade das companhias de jogo dos Estados Unidos serem forçadas a vender as operações em Macau a empresários chineses "sobe alguns níveis", disse Ben Lee.
"Penso que depois de os EUA ameaçarem retirar as ações chinesas das bolsas, 'está tudo em cima da mesa'", acrescentou o analista da IGamix, citando o secretário do Tesouro norte-americano.
Na quarta-feira, Scott Bessent, numa entrevista à emissora Fox Business, recusou-se a afastar a possibilidade de obrigar as empresas chinesas a abandonar as bolsas dos Estados Unidos: "Essa decisão vai ser do Presidente Trump".
Capital mundial do jogo, Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Operam no território seis concessionárias -- incluindo três de capitais norte-americanos, Las Vegas Sands, MGM Resorts e Wynn Resorts - com contratos que entraram em vigor em 2023.
O diretor executivo da CreditSights, Nicholas Chen, recordou à Lusa que as novas concessões podem ser rescindidas "por ameaça à segurança nacional ou da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau]", ou por "razões de interesse público".
"No entanto, o que constituiria tal ameaça não foi explicitamente definido pelas autoridades", sublinhou o especialista da CreditSights, que faz parte do grupo da agência de notação financeira Fitch.
"Não vimos qualquer indicação, até à data, de que os governos de Macau ou da China estejam a visar os operadores de jogo de Macau sediados nos EUA por questões de segurança nacional", acrescentou Chen.
Por outro lado, admitiu ser preocupante a classificação, em fevereiro, de Macau como "adversário estrangeiro" dos Estados Unidos, impondo restrições ao investimento por parte de empresas locais.
Vitaly Umansky, analista da empresa de consultadoria Seaport Research Partners, disse à Lusa estar "bastante cético" sobre eventuais riscos para Macau.
"Há alvos muito maiores para caçar na China, se a China realmente quisesse marcar uma posição", disse o especialista.
As autoridades chinesas "já foram atrás de uma variedade de empresas norte-americanas na China continental, que acreditam serem pontos sensíveis para o Governo de Pequim, principalmente tecnologia e saúde", recordou.
Já Ben Lee acredita que, em vez de alterar os termos das concessões, o Governo de Macau poderia introduzir novas leis "que restrinjam a repatriação" ou transferências de dinheiro das subsidiárias locais para as empresas-mãe nos Estados Unidos.
Vitaly Umansky duvida que isso possa acontecer, alertando que Macau poderia perder a imagem enquanto "ambiente propício para investimentos por parte de empresários do exterior".
Na quinta-feira, um economista da Universidade de Macau afirmou que a guerra comercial pode ter impacto nos planos de investimento das empresas.
Em 2023, quando entraram em vigor as novas concessões, as operadoras comprometeram-se a investir mais de 100 mil milhões de patacas (12,8 mil milhões de euros) em elementos não ligados ao jogo.
"Acredito que os investidores de todo o mundo estarão dispostos a mudar os seus objetivos de investimento no contexto de tarifas tão elevadas", disse Kwan Fung. Vitaly Umansky tem a certeza de que as operadoras "vão investir tudo o que prometeram", mas admitiu que há dúvidas sobre "quando será investido e em quê".
"Tem havido numerosos obstáculos. O governo [de Macau] tem sido lento na aprovação de projetos e não disponibilizou mais terrenos para serem desenvolvidos", lamentou.
Correio da Manhã

"Penso que depois de os EUA ameaçarem retirar as ações chinesas das bolsas, 'está tudo em cima da mesa'" disse Ben Lee.
Um analista do jogo disse à Lusa que a China pode obrigar as operadoras norte-americanas a vender os casinos em Macau, em retaliação, caso Washington force a venda do TikTok e dos portos no Canal do Panamá.
O fundador da consultora de jogo IGamix, Ben Lee, expressou receio sobre o impacto do "atual atrito" entre a China e os Estados Unidos devido à plataforma de vídeos TikTok e aos portos operados pelo grupo de Hong Kong CK Hutchison no Panamá.
"Se a China adotar a mesma estratégia de retaliação que tem vindo a empregar", a possibilidade das companhias de jogo dos Estados Unidos serem forçadas a vender as operações em Macau a empresários chineses "sobe alguns níveis", disse Ben Lee.
"Penso que depois de os EUA ameaçarem retirar as ações chinesas das bolsas, 'está tudo em cima da mesa'", acrescentou o analista da IGamix, citando o secretário do Tesouro norte-americano.
Na quarta-feira, Scott Bessent, numa entrevista à emissora Fox Business, recusou-se a afastar a possibilidade de obrigar as empresas chinesas a abandonar as bolsas dos Estados Unidos: "Essa decisão vai ser do Presidente Trump".
Capital mundial do jogo, Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Operam no território seis concessionárias -- incluindo três de capitais norte-americanos, Las Vegas Sands, MGM Resorts e Wynn Resorts - com contratos que entraram em vigor em 2023.
O diretor executivo da CreditSights, Nicholas Chen, recordou à Lusa que as novas concessões podem ser rescindidas "por ameaça à segurança nacional ou da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau]", ou por "razões de interesse público".
"No entanto, o que constituiria tal ameaça não foi explicitamente definido pelas autoridades", sublinhou o especialista da CreditSights, que faz parte do grupo da agência de notação financeira Fitch.
"Não vimos qualquer indicação, até à data, de que os governos de Macau ou da China estejam a visar os operadores de jogo de Macau sediados nos EUA por questões de segurança nacional", acrescentou Chen.
Por outro lado, admitiu ser preocupante a classificação, em fevereiro, de Macau como "adversário estrangeiro" dos Estados Unidos, impondo restrições ao investimento por parte de empresas locais.
Vitaly Umansky, analista da empresa de consultadoria Seaport Research Partners, disse à Lusa estar "bastante cético" sobre eventuais riscos para Macau.
"Há alvos muito maiores para caçar na China, se a China realmente quisesse marcar uma posição", disse o especialista.
As autoridades chinesas "já foram atrás de uma variedade de empresas norte-americanas na China continental, que acreditam serem pontos sensíveis para o Governo de Pequim, principalmente tecnologia e saúde", recordou.
Já Ben Lee acredita que, em vez de alterar os termos das concessões, o Governo de Macau poderia introduzir novas leis "que restrinjam a repatriação" ou transferências de dinheiro das subsidiárias locais para as empresas-mãe nos Estados Unidos.
Vitaly Umansky duvida que isso possa acontecer, alertando que Macau poderia perder a imagem enquanto "ambiente propício para investimentos por parte de empresários do exterior".
Na quinta-feira, um economista da Universidade de Macau afirmou que a guerra comercial pode ter impacto nos planos de investimento das empresas.
Em 2023, quando entraram em vigor as novas concessões, as operadoras comprometeram-se a investir mais de 100 mil milhões de patacas (12,8 mil milhões de euros) em elementos não ligados ao jogo.
"Acredito que os investidores de todo o mundo estarão dispostos a mudar os seus objetivos de investimento no contexto de tarifas tão elevadas", disse Kwan Fung. Vitaly Umansky tem a certeza de que as operadoras "vão investir tudo o que prometeram", mas admitiu que há dúvidas sobre "quando será investido e em quê".
"Tem havido numerosos obstáculos. O governo [de Macau] tem sido lento na aprovação de projetos e não disponibilizou mais terrenos para serem desenvolvidos", lamentou.
Correio da Manhã